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Undiscovered Soul: A decadência anunciada de Richie Sambora


[6 Apr 2008 | 11 comentários | Cler Oliveira]

As várias faces de Richie Sambora

Fico tão envolvida com meus afazeres que, quando tenho um tempo, até uma olhada com mais atenção no porta-cds se torna um grande programa. Foi fazendo isso que redescobri Richie Sambora que, na minha opinião, é sem dúvida, um dos melhores guitarrista do hard rock. Não entendo muito de guitarra, mas sei bem o que me agrada. E ele, preenche esse requisito.

Richie era muito mais Bon Jovi do que o próprio Jon. Era um cara que sabia andar por suas próprias pernas. Era. Conseguiu provar isso lançando dois álbuns solos muito bons: Stranger In This Town (1991) e Undiscovered Soul (1998), que voltei a ouvir incansavelmente.

No primeiro, Sambora quis demostrar tanta força, instrumental e vocal, que esta se sobrepôs a sua sensibilidade. As letras eram mais universalizadas. Falava de tudo e de todos sem grandes destaques.

Undiscovered SoulJá no segundo, Sambora compensou. Foi preciso, dosando melancolia, sensibilidade sem pesar a mão. Como o próprio nome diz, Richie permitiu deixar sua alma descoberta. Mostrou ser um grande conhecedor das dores do mundo mesmo que, na época, tivesse pouca ou nenhuma razão para isso.

Passado 10 anos desse lançamento, chega a ser bizarro ouví-lo. Nos últimos 20 meses, Richie tem sido alvo fácil da imprensa com seu divórcio, novos relacionamentos mal sucedidos, a depressão após a morte do pai e suas constantes bebedeiras que resultaram em internações e até cadeia. Nem mesmo seu grande amigo, Jon Bon Jovi, foi capaz de livrá-lo de todo o mal.

Jon E richie - AntesJon E Richie - DuranteJon Bon Jovi e Richie Sambora - Depois

E é fácil ver que Sambora sabia que esse cara estranho sempre viveu dentro dele, mesmo que ele fizesse parte de uma das bandas mais caretas do hard cujos integrantes fazem sexo com as esposas, não curtem drogas e abandonaram o rock ‘n’ roll há tempo. As músicas de Undiscovered são livretinhos de bolso que contam pequenas histórias de muitos personagens mas que, hoje, sabemos exatamente quem representa cada um deles.

Made in América

Feito na América
Em 1959
Nascido perto das fábricas
Cruzando a fronteira com a cidade Jersey
Fui criado ouvindo rádio
Um garoto que adorava vitrola
Eu estava bem
Um garoto de uma cidadezinha
Com sonhos grandes
Seguindo sua consciência

Hard Times Come Easy

A realização
Continua afundando
O jeito de conseguir
É aprender a tirar isso de letra
A gente anda por aí
É apenas outro dia
Com os problemas batendo à sua porta

Fallen From Graceland

Você fica encalhado na chuva
E nesta noite, não consegue ver a dor ir embora
Você caiu em desgraça
Caiu em desgraça
Quando se é orgulhoso demais para rastejar
Você fica contra a parede
Quer morrer, mas acaba vivendo
Sem nada a ser dado
E não há lugar para se esconder
Quando você está enrolado

All That Really Matters

Você será sempre o meu doce vício
A graça salvadora da minha vida
Você é tudo que importa de verdade
Você sabe que é verdade
Eu não existo sem você

Chained

Eu estava acorrentado
Acorrentado
Acorrentado aos meus sonhos arruinados
Eu nunca soube aonde a vida me levaria
Esperando que alguém viesse e me salvasse
Salve-me
Salve-me
Salve-me

Who I am?

Confie em mim agora
Eu sou do bem
Não sou mais o que era
Se você se colocasse em meu lugar
Então entenderia
Quem sou eu? — você se pergunta
Quem sou eu? — eu me pergunto
Quem sou eu?
Simplesmente, quem sou eu?
Aprendi quando fiquei perdido
Quando houve uma curva estranha na estrada
Eu fazia de conta que não me importava
Mas esse pedaço de mim desapareceu
Ajude-me agora

Undiscovered Soul

À procura de nossa salvação
Nos elevamos com crueldade
Apenas procurando uma razão
No grande plano criado
Se a paciência é uma virtude
Então nos deixe recomeçar humildemente

Richie brinca com alguns conceitos em If God Was a Woman? e não nega de onde veio em baladas que falam do amor incondicional como In it For Love.

Olhando daqui, do alto de 2008, é um álbum que é assustadoramente surreal. Profético, eu diria, mas muito bom.

 

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Cler Oliveira

Cler Oliveira, jornalista, gaúcha, apaixonada por música, sobretudo U2, Bon Jovi e Coldplay. Estudiosa constante de Kurt Cobain. Curte pop rock internacional dos anos 80, 90 e tudo o que agrade os ouvidos depois dos anos 2000. Também redatora no www.mudarock.com.br.

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