Depois do Leite Derramado Vinny Volta a Fazer o Que Sabe
Quem me conhece sabe que raramente assisto TV. Quando tenho tempo não tenho paciência e vice-versa. Mas esta semana tive uma grata surpresa ao assistir uma entrevista do Vinny no Programa do Jô. O cara foi até lá para mostrar seu CD ácustico e, aproveitou para apresentar seu lado bem humorado.
Pra quem não lembra…
Vinny é o cara que emplacou Heloísa, mexe a cadeira, no final dos anos 90. Até esse acontecimento Vinny era um dos meus artistas favoritos e, antes que alguém comece a me xingar, dou apenas um motivo para que se reconheça que o cara é bom.
Em 1996 eu trabalhava na sessão de CDs do recém-inaugurado Carrefour- Novo Hamburgo. Lá havia diversos artistas novos que, numa época na qual a internet não era tão popular, eram desconhecidos. Alguns CDs tinham poucas unidades e, mesmo assim, não vendiam nada. Era o caso de Alanis Morrisete e o seu Jagged Little Pill que, só depois do estouro, conseguiu sair da prateleira (tivemos que encomendar caixas e caixas depois…).
Entre os encalhados havia um CD com uma capa pretenciosa. Nela se lia apenas Vinny. Ninguém sabia quem era o cara e muito menos tinha vontade de saber. Em uma tarde de completo ócio, coloquei o álbum para tocar no CD player interno e a surpresa foi inevitável. O loiro beiçudo da capa tinha uma linda voz e as músicas eram sensacionais. A que me chamou atenção de cara foi a versão feita da música Eu Sei, da Legião Urbana. Uma das melhores que eu ja vi (até hoje). Na semana seguinte, sugeri para que colocassem como som ambiente no hipermercado todo. Resultado: os quatro cds “encalhados” foram vendidos!
Sempre dizia para meus amigos: “Tu tens que conhecer o Vinny! O cara é um baita cantor…” . Minha decepção veio quando o tal “baita cantor” começou a fazer um sucesso estrondoso com a já referida “Heloísa, mexe a cadeira”. Eu passei vergonha…Pra piorar e ratificar o meu constrangimento veio Shake Boom e mais uma tropa de sucessos descartáveis, chatos e grudentos como chiclete na calçada, entre eles um clássico da putaria nacional “Uh! Tiazinha”
Falando nisso…
Tiazinha tentou tirar o vídeo daqui, mas ele veio parar aqui… não adianta Suzana Alves querer nos privar de sua vida pregressa na qual ela canta, encanta, rebola, embola fazendo carinha de quem tá gostando demais..
Depois do leite derramado, Vinny ainda tentou fazer o que sabia com algumas boas músicas, mas mesmo assim, não foi como colocar a tal Heloísa para remexer.
Na entrevista do Programa do Jô Vinny me (re)conquistou. Não pela versão acústica daquela esquizofrenia sonora que, com banquinho e violão até dá pra chamar de música. Mas pela sinceridade e senso de humor. Só pelo fato de ter admitido que não gostou da versão dada para o “pancadão” que virou hit e que continuou porque o negócio deu certo, mereceu o meu respeito e um pouco da minha esperança.
“Eu descobri que sou um dos primeiros emos do Brasil. Mas sou um emo mais moderado. Tipo hemorróida”
“Este acústico parece algo improvável porque minhas músicas sempre foram conhecidas nas pistas de dança…”
“Comecei tocando em barzinhos (…). Toquei até por pizza (…). Eu era quase uma prostituta”
O acústico, embora tenha os hits chicletes com roupinha de domingo, faz com que o cantor volte àquele cd que, lá em 1995, tocava nos auto-falantes para acalmar os ânimos dos clientes do Carrefour em Novo Hamburgo.
É pop, mas eu gosto. Pronto. Falei.













