De A-ha a U2, Zeca Camargo É Fantástico!
O livro não é novo. É de 2006. Mesmo assim, cabe o registro acompanhado de uma confissão: desde que li De A-ha a U2, virei fã incondicional de Zeca Camargo. Até então ele era, na minha antiga opinião, um jornalista simpatiquinho que entendia de música e apresentava o Fantástico. Nunca levei muito à sério o fato de ele ter sido um dos primeiros jornalistas a dar a cara para bater apresentando um reality show ou ter visitado muito mais países em alguns meses do que eu, nas atuais condições, visitaria, mesmo que, para isso, vivesse 200 anos.
Não tinha nada contra o Zeca, mas admito que perdi completamente a vontade de saber o que tinha entre o A-ha e o U2 quando vi a capa rosa com letras amarelas, muito embora o universo conspirasse a favor dele: não houve uma vez em que fiz uma busca por novos materiais do U2 (minha banda favorita), e que, dentre as quais, não estava o tal livro.
Mas um dia, depois de uma longa história, o livro parou em minhas mãos e. a partir daquele momento, minha relação com Zeca camargo nunca mais foi a mesma:quando li o livro descobri que ele era, além de tudo o que citei, o autor de um dos três livros que mudaria a minha vida.
E não é exagero. Mesmo que você não curta nenhum dos astros entrevistados por ele; mesmo que você odeie música (se você odiar música me comunique. Jamais conheci alguém com tal patologia); mesmo que queira que o Zeca Camargo se exploda, mesmo assim, ainda sei que irá gostar do que ler ao longo das mais de 400 páginas.
Cinco motivos para você ler De A-ha a U2:
1. Não importa sobre o que o Zeca escreva, ele sempre escreve muito bem. Como diríamos no Rio Grande do Sul, ele se puxa. A maior prova disso é o blog que ele mantém na Globo.com: textos enormes, alguns divididos em diversas partes, porém percebe-se que, boa parte dos que comentam os posts lê todos os parágrafos antes de postar qualquer coisa. No livro ele repete a fórmula: os textos são uma delícia. É como se fossem aqueles números de danças com tecidos: têm rítmo, são harmoniosos, simpáticos, ora comoventes, ora engraçados. Ele se entrega demais. Se expõe demais, nos desarma. O resultado é um texto brilhante.
2. Se alguém pensa em cursar Jornalismo pelo pseudo-glamour, Zeca Camargo faz o desinformado vestibulando desistir na hora. A cada novo capítulo ele mostra que, mesmo que você estude e se torne em um jornalista super conhecido, que viaje – literalmente – meio mundo, conheça muita gente interessante (“até o neto bastardo de seu bisavô”), você sempre será um réles mortal. Daqueles que esperam horas para uma entrevista de 20 minutos. Daqueles que ficam com medo de fazer algumas perguntas, recebe respostas que não gostariam e que, para o cara famoso que está na tua frente, não passa de mais um na sua agenda lotada de compromissos. Zeca tira o jornalista do fantasioso Olimpo dos vestibulandos e o coloca no seu devido lugar: o dos profissionais como outro qualquer.
3. Sou fã de Bon Jovi. Admito. Mas do tempo em que eram bons de verdade. No capítulo dedicado à banda, não lembro ter lido mais de três parágrafos sobre o bando de Johnny. Zeca, pelo que pude perceber, teve motivos para ter odiado o dia em que seu caminho cruzou com o de Jon Bon Jovi:decidiu usar o espaço para divagar. Eu teria ficado furiosa caso Zeca não tivesse honrado a árvore que morreu por aquelas páginas escrevendo um ótimo texto.
4. Durante o livro todo ele vai nos presenteia com pequenos “Top Cinco” de músicas (sob todos os aspectos que se pode imaginar). Ao longo da obra também podemos acompanhar o que seria quase que um segundo livro. Histórias que cruzam momentos de sua vida com canções, ao que ele chamou carinhosamente de “Perdido em música” e é muito, mas muito bom.
5. O quinto motivo é um apanhado de motivos pequenos, mas não menos importantes:
- Você não precisa lê-lo na sequência: escolha um capítulo com o artista que mais lhe agradar e comece ou termine o livro de onde der na sua telha.
- Os entrevistados são ícones do pop/rock brasileiro e interncional da nova, velha e “geração intermediária”. Ou seja, mesmo que você tenha passado dos 40 anos ou completado 13 na semana passada, irá curtir, senão tudo, boa parte do que está lá.
- Entre o A-ha e o U2 há nomes como Marisa Monte, Kurt Cobain, Coldplay, Guns n’ Roses, Beck, Madonna, Renato Russo (confira parte da entrevista aqui), Cazuza, Avril Lavigne e um mundaréu de gente que, se eu não tivesse emprestado o livro com intúito de mudar a vida de outra pessoa também, listaria aqui todos eles.
Quer saber quais foram os outros dois livros que mudaram a minha vida? Numa próxima oportunidade eu conto…


















Pingback: [Kurt Cobain] Entrevista a Zeca Camargo – 1993 | Dossiê Kurt Cobain
Pingback: Cinco álbuns acústicos para se ter em casa | Hit Na Rede
Pingback: Conspirações, inspirações e pirações que, por durante 15 anos, acompanharam a lenda Kurt Cobain | Hit Na Rede
Pingback: O Fantástico foi lá porque Radiohead vem ai | Hit Na Rede
Pingback: Vai à Feira do Livro de Porto Alegre? Inclua em sua lista algumas obras que só faltam cantar... | Hit Na Rede