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The Commitments – O Livro Que Virou Filme Que Virou Banda


[5 Jul 2008 | 7 comentários | Cler Oliveira]

A interatividade das redes sociais me impressiona. Entre as que me mais gosto estão o Twitter e a Last FM. Saber o que se passa na mente de alguém por meio de 140 caracteres é tão interessante quanto conhecer os gostos musicais dela por um programa que “randomiza” suas preferências.

O Last FM se torna engraçado quando, devido a seus parâmentros, consegue adivinhar quem é compatível musicalmente com você ou não. Dentre meus amigos dessa rede, disparado, o viciado do Mobilon é o que mais se aproxima dos meus gostos musicais farofas. Até a data de hoje, Bon Jovi já tocou no perfil dele 1.389 vezes e, como o Last FM sabe que eu curto, sacou a sintonia.

Mas, nesta de Last FM, lembrei do dia em que adicionei o Edney Souza. O “sintonômetro” deu um grau de compatibilidade baixo. Normal. Mas, quando parei para observar a lista das mais tocadas daquela semana no player dele, vi que havia uma banda que é, na minha opinião, uma das melhores do mundo, mesmo tendo nascido na ficção: The Commitments. Incompatibilidade baixa? Não… um detalhe que o Last Fm não previu.

Pra quem acha que estou fazendo muito barulho por nada, uma rápida explicação:

commitments

….trata-se de um filme irlandês, de 1991 que conta o surgimento e a queda de uma banda de soul music numa Irlanda onde as coisas economica e socialmente não vão nada bem. Este clássico é, na realidade, um livro que virou filme que virou, algum tempo depois, em uma banda de verdade. Alquimia pura. A história, que foi ao cinema pelas mãos do diretor Alan Parker, foi baseada no primeiro capítulo da trilogia The Barrytown Trilogy escrito pelo irlandês Roddy Doyle, em 1987.

Engraçado, envolvente e com um cast musical de talento (inclua nessa lista Andrea Corr), a produção mantêm uma das melhores trilhas sonoras do cinema, muito bem divididas em dois volumes na qual clássicos da black music ganham uma versão de peso, como por exemplo, The Midnight Hour, de Wilson Pickett que, na perfomance dos atores virou um momento memorável:

“I’d like to introduce you to the hardest-workin’ band in the world. On bass, Derek “Meatman” Scully. On piano, Steven “Soul Surgeon” Clifford. Dean “Mr Nipple” Fay on sax. Joey “The Lips” Fagan on trumpet. Our gorgeous chanteuses are Bernie, Imelda, and Natalie. Deco “Deep Throat” Cuffe on vocals. On lead guitar, Outspan “Fender bender” Foster. Finally, on drums, Mickah “Don’t Fuck With Me” Wallace. Ladies and gentlemen, The Commitments.”

Dos integrantes da banda, apenas dois participaram da produção: o baterista Dick Massey e o guitarrista Kenneth McCluskey. Guardadas as devidas proporções, o filme é para o grupo o que a Melô do Piripipi é para Gretchen. O jabaculê que rola no site ainda é referente ao sucesso de 17 anos atrás mas, pela agenda de shows lotada ninguém deve achar que isso seja um grande problema. Alguns números comprovam essa teoria:

A trilha sonora j (vol 1 e 2) já vendeu mais de 12 milhões de cópias e o filme já foi visto por mais de um bilhão de pessoas no mundo todo. De acordo com a industria de filmes britânicos, The commitmments ocupa orgulhosamente a colocação 33 no ranking dos 100 melhores filmes de todos os tempos.

Moral da História: Não acredite em tudo o que o Last FM te diz… leia o livro, veja o filme e ouça a trilha sonora. Certamente você não vai se arrepender.

 

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Cler Oliveira

Cler Oliveira, jornalista, gaúcha, apaixonada por música, sobretudo U2, Bon Jovi e Coldplay. Estudiosa constante de Kurt Cobain. Curte pop rock internacional dos anos 80, 90 e tudo o que agrade os ouvidos depois dos anos 2000. Também redatora no www.mudarock.com.br.

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