Diversão e arte: Por que a junção Calypso e Paralamas incomoda tanta gente?

A tradicional musiquinha infantil já dizia que um elefante incomoda muita gente e dois elefantes incomodam, incomodam muito mais… Dando meia volta na internet é possível ver diversas opniões sobre um dos mais polêmicos Estúdio Coca-cola Zerode todos os tempo: a união entre Paralamas do sucesso e Calypso, cada um a seu estilo, dois gigantes da música. Esta semana, um comentário (muito bem escrito, por sinal) neste post me chamou atenção :
“É verdadeiramente lamentável que Os Paralamas, banda que revolucionou os anos oitenta junto com outras preciosidades, se preste a este comercialismo vulgar. A Coca, que é uma droga, cumpre o seu papel: transforma tudo em mercadoria, desconstrói valores e aliena os pobres diabos. A banda CALIXO nada tem a perder visto que não passa de um subproduto de terceira ordem, porém o trio de Brasília quando gastar o gordo cachêt, de certo que verá a idiotia que realizou, ficará marcada como uma chaga cancerosa tal qual o diabólico projeto. Como dizia Paulo, citado pelo meu amigo Gordo,“não vi e não gostei.” Nota ZERO.”
Depois de rir (uma risada nervosa, confesso) sobre as análises apocalípticas e ferrenhas sobre o evento, fiquei pensando… a proposta do Estúdio Coca-cola Zero é justamente essa: unir mundos diferente, povos diferente, numa mesma freqüência. Eu mesma disse que queria ver o MC Céu no mesmo palco que o Marylin Manson.
Agora, a junção do Estúdio Coca-cola Zerocom Paralamas do sucesso é sensacional. Antes dessa fusão, confesso que não conhecia nada sobre o Calypso, muito embora já tivesse ouvido alguma coisa na TV, no ônibus, metrô ou supermercado. Mas foi graças a um post sobre a banda no blog português Remixture que ao escrever o post anterior descobri que Calypso é um fênomeno não apenas de popularidade, mas de marketing de vendas não-associado a grandes gravadoras.
“Até hoje e seguindo o modelo de negócios abertos do TecnoBrega local, a Banda Calypso nunca assinou um contrato discográfico. Graças a essa independência em relação à tradicional economia de mercado, o grupo consegue vender milhões de discos a um preço extremamente baixo, recorrendo apenas aos vendedores ambulantes, os “camelôs” encarregados da distribuição dos CDs e DVDs nas ruas.”
Não vou entrar no mérito de qualidade das duas bandas. Não sou fã de Calypso e, obviamente, por esse motivo, terei a tendência de achar um “lixo” (é isso que dizemos quando não gostamos de algo, não?), mas sim na generosidade de grandes artistas como Herbert Viana que é infinita e se reflete no projeto.
Imaginem um cara que perdeu a mulher em um acidente áereo e quase foi também para o outro lado. Entrou em coma, se recuperou e voltou a fazer parte do lugar que é seu de direito: o rock brasileiro. Por que, diante de um convite (sim, porque, duvido que ele tenha se oferecido) para fazer um duo com Calypso, iria negar? Depois do momento de risadas, acredito que um “podemos encarar” surgiu no meio de um sorriso e o projeto seguiu em frente.
E qual é o problema disso?
No orkut, diversas comunidades falam dessa mistura como algo depreciativo ao Paralamas e, para ser sincera, acho justamente o contrário. Herbert prova que não precisa provar mais nada para ninguém e pode fazer o que quiser, como quiser, COM QUEM QUISER, sob qualquer pretexto que o fato dele ser um ícone do Rock BR não muda.
O estudio Coca-cola Zero que uniu Fresno e Chitãozinho e Xororó teve também os seus protestos. Se você ler o post da conversa que tive com o Tavares até o final (passa a história do Renato Russo Emo que é mais embaixo…) verá que ele fala da humildade da dupla ao topar tocar com eles e que, a partir deste experimento bem sucedido fruto de uma união tão diferenciada (e muito bem descrita no texto do André “Geraldo” Solomon ), pensam em novos projetos. O Miranda, em seu blog, resumiu a parada em apenas algumas palavras:
“Do Fresno, disposição, coragem, ousadia são os que mais se fazem notar.
De Chitãozinho & Xororó, um show de humildade e profissionalismo.”
Unir coisas parecidas? Para isso temos o Last FM e o Twitter. Quem deveria tocar com Paralamas para que a banda não corresse o risco de ser taxado de vendida? Ultraje a Rigor? Capital Inicial? Nesse caso estariamos diante de um Estúdio água mineral com bolinha. Duas coisas que se completam, que se assemelham. Embora de marcas diferentes, farinhas de um mesmo saco, o Rock Brasil. Não, não é isso que eu quero… não nesse projeto.
Humildade e generosidade. Essas são as palavras que norteam o Estúdio Coca-cola Zero. Muito se fala da Era da Pós-Modernidade, mas poucos a vivem de fato. Muito antes de qualquer Estúdio Coca-cola, Pavarotti exercitava essas qualaidades ao convidar para um mesmo palco estrelas de primeira à quinta grandeza. De Bon Jovi a Ricky Martin, tudo era diversão e arte.
O gênio Serginho Groismann, um cara que eu admiro pra caramba, já propõe isso há tempos no seu Altas Horas.
No vídeo, Armandinho (ex- A Cor do Som) com Yamandu Costa e Andreas Kisser.
Frank Sinatra flertou com o rock pop
E agora, pergunto: que problema há nisso? Que venha mais Estúdios coca-cola Zero. Lógica Zero. preconceito Zero e diversão a mil.
Falando nisso…
O ápice dessas briguinhas bestas é hoje um clássico do Youtube: o dia em que Dado Dolabella seria entrevistado por João Gordo no Gordo à Go-go, da MTV. Só por isso, já teríamos motivos para assistir o programa. Dado, com aquela cara de moço tranqüilo e pacato do interior vai até os estúdios da MTV e, bem-intensionado, abre uma maleta com alguns acessórios que jurava ser necessário para a ocasião: uma machadinha, uma corrente (daquelas que você só vê em filmes do Van Damme) e um porrete. Oportunamente, Dado, o menino pacato, sai com um protesto fora de contexto:
Pô, velho, eu era teu fã pra caralho, mas você traiu o movimento…
O suficiente para que o Gordo perguntasse quem aquele “playboyzinho de merda” (sic) pensava que era. e, neste instante, começa a confusão…Até agora não sei de que movimento dado dolabella participava ao ponto de lamentar a saída de João Gordo. Assim como, até hoje não entendo o que o Gordo fez que o deixou tão irritado… coisas da intolerância musical…










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