Review – Show Dado Villa Lobos – turnê gaúcha Jardim de Cactus

Por mais fã que se seja da Legião Urbana é praticamente impossível prever o que irá se encontrar no show de Dado Villa Lobos. Quem conhece um pouco do seu trablho sabe que ele tinha diversas opções para conduzir o show: 1. apresentar apenas músicas do seu Jardim de Cactus, álbum lançado em 2006 e uma ou duas músicas da Legião. 2. Fazer seu show todo baseado nos sucessos da Legião e tocar uma ou duas músicas do Jardim de Cactus ou 3. Fazer o inesperado. Dado escolheu a última alternativa e brindou a todos com um belíssimo show no dia 9 em Novo Hamburgo, um dos sete da turnê gaúcha.

Ao entrar no palco o guitarrista foi tão discreto quanto um bancário. Não ostentava roupas especiais nem exagerava no gestual. Abriu com Jardim de Cactus e aos poucos foi crescendo em palco até tomar conta dele por completo. Mas ele sabe que uma significativa parte da platéia veio assistir o “cara da Legião”. Não demora muito para que ele atenda, á altura, o pedido silencioso com Perfeição.
Dado mistura repertório próprio, seu trabalho para cinema, suas composições que ganharam as paradas de sucesso na voz da Paula Toller e Dinho Ouro Preto, além, lógico, de muita Legião Urbana para delírio dos que seguem essa religião. Já no segundo acorde dos três que caracterizam as músicas da Legião se percebe que a platéia reconhece e retribui devotamente. A montanha mágica, Um dia perfeito, Que país é esse? Conexão Amazônica, Índios e Baader Meinhof Blues são tocadas com um desprendimento que horas parece um ensaio. Para tocar Será? Dado convidou uma banda de rock local que conseguiu impressionar o mestre:”Sensacional. Eles são um fio desencapado”.
Os músicos que subiram a palco com ele são, certamente, da melhor safra de músicos de shows. Um espetáculo à parte. Assim como Renato, Dado é um contador de histórias. Dá discurso e ainda se impressiona como músicas escritas há mais de 25 anos ainda retratam o momento atual desse país. Para o deleite de todos, Dado, além de Renato, invocou de Kurt Cobain a Lou Reed. Ótmo show. Recomendo.
Nota 10:
- O repertório – mesclado. É quase uma biografia musical de Dado que faz com que ele se divirta tocando enquanto nos divertimos ouvindo.
- A iluminação – Linda, envolvente. intimista, mas que detona o rock n’ roll quando solicitado
- A simpatia de Dado – A platéia se torna cúmplice de seu espetáculo e mesmo diante da relação fã-ídolo, Dado se mostra solícito e bastante sincero diante da demonstração de carinho.

- O show de abertura – Os The Darma Lóvers são fabulosos. Nunca havia ido a um show deles e me impressionei com a qualidade da apresentação, a presença de palco e o espetáculo de talento proporcionado por eles. Ótima escolha.
Nota 0
O baixo público. O evento contou com uma mídia agressiva e, mesmo assim, o público hamburguense decepcionou. Talvez pelo dia da semana e o horário (quinta-feira, 19h30min), talvez pelo preço do ingresso (R$ 60 e R$ 100 na hora) ou talvez por algum outro motivo que desconhecemos.
Dado é um cara bacana, solícito. O que acabou contrastando todo o profissionalismo de Dado foi a falta de tato do produtor que o acompanhava que, mesmo diante de uma emissora de Radio que esperou pacientemente o show todo e precisava levar uma palavrinha do cara para o programa do dia seguinte, disse: “ele não vai dar nenhuma entrevista”. Foi explicado que, até pela dinâmica do programa, a sonora não passaria de dois minutos. Mas o cara pediu para que eu e a Rádio agendássemos no hotel para dois dias depois. A rádio desistiu – obviamente. Eu agendei. No dia e horário marcados, fui até o hotel, abaixo de chuva. E não havia nem sinal de Dado no hotel já que todos sairam mais cedo para o show. Avisar seria o mínimo a se fazer. Lamentável…
















[...] Villa Lobos. O Dado é gente fina mas a assessoria foi um horror. escrevi sobre isso, inclusive (http://hitnarede.com/2008/10/review-show-dado-villa-lobos-turne-gaucha-jardim-de-cactus/) Hoje em dia é mais fácil conseguir o contato direto com o artista que, dentro das suas [...]
Comente