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Beirut em Capitu e Júnior Lima mostrando com quantos anjos se faz uma banda: a semana na TV aberta


[14 Dec 2008 | 8 comentários | Cler Oliveira]

Não assito TV. Ou melhor, assisto raramente. E, com as férias na faculdade, vejo que isso nada tem a ver com a falta de tempo, mas sim com o meu desinteresse clássico pela chamada TV aberta . Mas, quem tem um perfil no Twitter, ter TV é apenas mais uma maneira de gastar luz. Diversas pessoas narram os acontecimentos com uma precisão incrível – e se especializam em uma categoria. O Johnny Ken, por exemplo, adora twittar sobre futebol e a Flávia Durante fez uma narração de um capítulo inteiro de A Favorita. Mas o que pegou geral nessa semana foi a super badalada (e curta) Capitu, micro série global que antes de sua estréia já dava o que falar – literalmente – na internet com o site Mil Casmurros e, no sábado, um pequeno buzz sobre a banda de Júnior Lima, Nove Mil Anjos.

Capitu e a Indie Beirut

Photobucket

Me chamem do que quiser, mas não tenho muits paciência para mini (ou micros) séries teatralizadas. Não assisti Hoje é Dia de Maria [bb]embora reconheça que, quem assistiu, estava diante de uma obra ímpar. O mesmo posso afirmar de Capitu. Pelo pouco que vi na internet, sei que se trata de uma produção na qual a palavra arte é elevada à potencia máxima, mas não encontrei muitos motivos para assistí-la. Exceto, a trilha sonora. Uma produção global que traz Pink Floyd e Black Sabbath, merece as minhas considerações.

Porém nada foi mais surpreendente do que saber que a produção foi buscar sua trilha principal no antes quase obscuro mundo indie. De lá, trouxe à tona a belíssima Elephant Gun, da americana Beirut, pop nos circuitos impopulares, para embalar os sonhos de Capitu.

A reação na blogosfera foi imediata:

E por ai vai até o infinito…. Com méritos.

Se o objetivo era aproximar a obra de Machado de Assis do público jovem, conseguiu. Twice!

Nove Mil Anjos no weekend

Photobucket

Embora Júnior Lima ocupe um “cargo” discreto em sua banda, a Nove Mil Anjos, como bem lembrou o Pedro Victor no Twitter: Sempre será a banda do Junior. Sim. Afinal é o que justifica tamanho buzz no trabalho da banda – que, a primeira ouvida, me parece pouco comercial.

Assim como a maioria dos mortais, acompanhei pela imprensa cada novo fio de cabelo cortado da cabeça de júnior até que, de Sandy-e-Júnior, o garoto conseguiu uma identidade e se transformou no “Incrivel Júnior e sua própria banda de rock manera”, Nove mil anjos. Porém, assim como o caso Capitu, não tive curiosidade de ver e ouvir o que eles faziam.

Até que, na tarde de sábado, eis que o inevitável aconteceu; assistindo o Caldeirão do Huck surge a tal Nove Mil Anjos. Na primeira ouvida, é difícil classificá-la. Para mim pareceu aquelas bandas pop-alternativas dos confins do Universo que encerravam o Jornal Hoje misturando Metal Progressivo com Acarejé do mangue. Júnior realmente arrasa na cozinha mas o resto me parece meio confuso. É dificil dizer se é promissor.

Para uma banda uncategorized até que eles aparecem bastante na grande mídia. E, obvio que isso não tem nada a ver com a questão de serem bons ou ruins, ma sim por ser a banda do Júnior. Sábado no Huck. Domingo na Sangalo. É cedo pra qualquer adjetivo. Apenas acho que, muito antes de decidir se são uma boa banda ou não, todos já deverão ter enchido o saco.

 

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  • nalu

    Desde quando Beirut é indie? Beirut é folk e pega sons do leste europeu…
    nada de indie baby.

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  • http://bitpop.info mariane

    mas o legal de capitu é justamente a mistura.

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  • paola

    pois é…
    assisti a micro-série…gostei!!! exatamente pelo formato teatral.
    não é comum encontrarmos arte de qualidade na tv aberta. geralmente o que se vê são programas medíocres copiados de tvs estrangeiras – inclusive os tele jornais que mais parecem reprodução da cnn.
    claro que a grande massa não iria gostar da obra de Machado de Assis (boa parte nunca leu e outra tanta leu e não entendeu ou sequer foi até o fim). preferem ficar no máximo com bizarrices como O SEGREDO ou O MONGE E O EXECUTIVO, ou até PAULO COELHO (modelo para estes de best sellers). a tv brasileira (aberta) infelizmente é a única alternativa de boa parte da população – faz papel de babá, amiga, fonte de informação (dentre os adjetivos acho este último o pior, já que oferece informações tendenciosas e parciais). quem não tem tv paga fica reduzido a novelas, bbbs, filmes dublados, programas de auditório como gordos ou beldades louras e burras… de tanto comer pelanca, ao experimentar filé acha horrível… é assim para alguns.
    me lembra um casal de amigos que levei para assistir “o fantasma da ópera”. a mulher achou lindo e foi no mês seguinte a uma ópera em nova york. mas o marido dela achou “tudo uma viadagem chata e que não acabava nunca”. aliás, ele mesmo disse que nunca conseguiu ler poesia – coisa de veado,diz – e não sabe o que eu vejo em drummond (!!!). Em uma festa falávamos de filmes e livros e ele disse a todos que ler romance dá sono, o melhor é assistir tv.
    pois é… o fato é que Machado de Assis continua nos intrigando e fazendo-nos questionar se Capitu traiu ou não traiu. mesmo que pela lente teatral da rede globo, ao som de beirut ou pink floyd.
    “C’est La Vie”

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    Alexandre Reply:

    @paola,

    Concordo plenamente com você ao falar que a TV aberta é limitada e que as pessoas na sua grande maioria não desfrutam da arte tão rica existente. Acredito que muitos não apreciam não por serem completos ignorantes e alienados, simplesmente não gostam. Eu adoro teatro, inclusive já trabalhei na produção de vários espetáculos do grupo Galpão de BH, mas acho o fantasma da ópera um saco, mas reconheço que é uma obra memorável. Leio bastante e sem muita restrição, dos HQ’s mais bizarros a Fernando Pessoa, tudo trás algo de bom pra gente e nunca é bom restringir seus conhecimentos. Adoro Roma, House, CQC, A pedra do reino, Castelo Ra-Tim-Bum entre tantas outras coisas legais da TV aberta e paga. Mas gosto de Sessão da Tarde, do Silvio Santos, de Chaves, dos canais Multi Show e Warner entre outras “porcarias” da TV aberta e fechada.
    Tudo na vida é saber ponderar entre o útil, o agradável e o lucrativo (em vários aspectos). O inútil não existe, haja vista que na falta de coisa melhor pode acontecer de se comer pelanca, não é?

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  • http://www.ofimdavarzea.com j. noronha

    A parte do Junior eu me abstive de ler para preservar o estômago, hehe…

    Quanto à Capitu, assisti a um capítulo inteiro quinta-feira, para não falar mal do que não vi.

    Confirmou minhas previsões, um lixo. Poderiam ter lançado apenas um CD com as músicas e ter nos poupado do resto.

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    Cler Oliveira Reply:

    A questão toda tá na teatralidade (pelo menos pra mim foi assim). Se eu quiser ver Teatro, vou ao Teatro. Não tenho paciência para esse tipo de hibridização.

    Quanto ao Júnior, nem eu sei qual é a dele… nem se é bom ou se é ruim. Ainda bem que tu não leu porque o texto tá bem vazio pela minha falta de certeza do que fazer com ele :)

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  • http://factoide.wordpress.com/ Daniel Soares

    Olá!

    Obrigado por nos linkar, realmente a trilha sonora está impressionante! Resolvi fazer uma compilação em vídeo com parte dela, confiram: http://factoide.wordpress.com/2008/12/15/videos-trilha-sonora-capitu/ !

    Abraço!

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    Cler Oliveira Reply:

    Esta trilha é histórica. Espero que a Globo tome esse formato de exemplo para as próximas produções. Abração!

    Responda este comentário