Início » Música Japonesa

Rock japonês: O ousado universo de Myavi


[19 Jan 2009 | 4 comentários | Cler Oliveira]

Escrito por Alessandra Riete – especial

myiavi

Provavelmente poucas pessoas já devem ter ouvido falar deste japonês por aqui. Miyavi, (possivel nome real: Takamasa Ishihara) é um artista versátil como poucos. Começou sua carreira cedo, aos 17 anos de idade, como guitarrista da banda de Jrock (rock japonês) Due’le Quartz, em 1999. Pouco tempo depois, o conjunto encera suas atividades, e Miyavi – que até então era grafado como Miyabi – inicia sua carreira solo. É ai que começa a história que realmente nos interessa.

Miyavi, apesar da curta carreira, já demonstrou ser um verdadeiro camaleão, tanto na aparência, quanto na música, que ficam cada vez mais originais com o passar do tempo. Seu debut foi em 2002 com o disco “GAGAKU”, que é no mesmo estilo musical de sua antiga banda (“sombrio e poluído, com muito preto e traços de melancolia”). A partir do single “Jingle Bell” é que o estilo de sua música começa a mudar, surpreendendo os fãs. Miyavi começa a incorporar sons acústicos e a fazer mais o tipo “um banquinho e um violão”. Daí em diante, ele foi atraindo um novo tipo de público.

Miyavi é um instrumentista brilhante. Em seus primeiros discos era ele mesmo quem tocava todos os instrumentos. Possui uma técnica invejável e apaixonante com a guitarra acústica. Seus slappings e dedilhados são de tirar o fôlego, mesmo dos mais leigos. Em seu myspace , que ele procura manter sempre atualizado, está escrito que o miyavi tocando um GigPig (espécie de bateria eletrônica simplificada) é como “ver uma criança com um brinquedo”.

Selfish Love

Embora tenha tentado ser “uma banda de um homem só”, hoje em dia ele se apresenta com um grupo intitulado Kavki Boys, que é composto, salvo algumas excessões, de artistas que Miyavi conheceu na rua. É um grupo talentosíssimo que possui um DJ, um Beat Boxer, um bateirista, um artista plástico (que fica pintando quadros durante a música), e um sapateador – além dos componentes de uma banda normal. Pode parecer estranho à primeira vista, mas Miyavi consegue misturar rock’n'roll, pop, hip hop, new metal, jazz, salsa e sons japoneses tradicionais, tudo ao mesmo tempo. Ele é um bom exemplo da capacidade dos nipônicos de incorporar estrangeirismos e reproduzir à sua maneira.

What a Wonderful World

Como muitos artistas por ai, pode-se dizer que ele já teve um “lado negro” quanto ao seu estilo musical. Antes de mudar definitivamente da “noite para o dia” ele acumula algumas musicas de gosto duvidoso. São verdadeiras poluições sonoras como “Pop is Dead” e a versão original de “Girls be Ambitious” e Rock’n'Roll is Not Dead”. Para quem não é no minimo familiar ao Jrock, estas musicas podem soar inaudíveis.

Pop Is Dead

A salvação de Miyavi veio com a criação do estilo que ele mesmo denomina de Neo Visualism. Um estilo que traduz todas as influências do artista, que, além das já citadas acima, possui também alguma influência do blues dos Estados Unidos (um grande exemplo disso é a musica “21Century Tokio Blues”). Miyavi garante que sempre que vai à Los Angeles, gosta de ver os caras que tocam na rua, e que algumas vezes já tocou com eles ali mesmo.

Em 2008, com o disco TIZ IZ THE JAPANESE KABUKI ROCK (o melhor de toda a sua carreira na minha opinião), saiu em uma megalomaníaca turnê mundial em que passou por quase todos os continentes, aterrissou no Brasil para duas apresentações em São Paulo (que eu me torturo até hoje por não ter conseguido ir).

No Japão, Miyavi, é um dos Pop Stars que fazem parte da superbanda SKIN, formada por ele, Sugizo (ex-Luna Sea), Gackt (ex- Malice Mizer), e Yoshiki (X-Japan) – alguns dos artistas mais famosos do gênero). A banda se apresentou em uma convenção em Los Angeles em 2007.

Por que Alessandra Riete?

Tive o privilégio de conhecer a Alessandra enquanto cursávamos a disciplina de Radiojornalismo III, em 2008. Como colegas de grupo, conversávemos muito sobre cultura pop: tv, séries e música. Numa dessas descobri que a Ale tinha uma admiração por “um tal de Myavi”. Me passou algumas músicas e eu acabei curtindo toda aquela piração de um dos japas mais populares do lado de lá e que conquistou muitos admiradores do lado de cá. E, nada melhor do que uma grande admiradora para falar do cara sem ares fake. Ale, valeu a dica, guria.

 

No Caminho da Indiada
Como todos vocês sabem, brasileiro não está acostumado com três coisas: democracia, reflexão e opinião própria. No primeiro caso, dizem que o poder é do povo. Aí, ao invés de ...
Leia mais
A cantora (e blogueira) Fernanda Takai e Maki Nomiya, juntas, no Eletronika
Foto:Fabiana Figueiredo Este post justifica porque, apesar de todos os problemas da rede, eu ainda dou chance para o Twitter. Afinal foi lá que descobri, com muito atraso, eu sei, ...
Leia mais
Música Pop Japonesa: Ayumi Hamasaki
Leia também: Visual Key - Os Crossdressers do rock Miyavi - Uma estrela do rock japonês As comemorações dos 100 anos da Imigração Japonesa no Brasil diminuiu ainda mais as distâncias entre as ...
Leia mais
No Caminho da Indiada
A cantora (e blogueira) Fernanda Takai e Maki
Música Pop Japonesa: Ayumi Hamasaki

Related Posts with Thumbnails

Share on Tumblr