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No Caminho da Indiada

12 January 2009 22 comentáriospor Piero Barcellos
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Como todos vocês sabem, brasileiro não está acostumado com três coisas: democracia, reflexão e opinião própria. No primeiro caso, dizem que o poder é do povo. Aí, ao invés de se preocuparem com as questões políticas da nação, preferem incomodar as emissoras por conta da onda “politicamente correta”. A mesma onda que impede, por exemplo, que um beijo gay seja dado em uma novela, mas em compensação vê uma cena de sodomia entre dois caubóis uma arte passivel de ser transmitida logo após o folhetim das 21h. Grande ironia.

Da mesma forma, a reflexão não é um exercício tão praticado quanto o futebol. Numa roda de amigos onde o assunto do momento é a trama global (ou recordal, sei lá), sempre tem um ignorante pra dizer que não assiste novela, que isso é uma alienação, etc. e tal. Só que, por mais que uma historinha que dure lá seus três, quatro meses seja muito fantasiosa, há uma relação entre platéia e elenco que não dá pra passar desapercebida. Uma novela é capaz de ditar mudanças de comportamento, seja ela na moda ou numa boa causa, como a doação de medula óssea.

Porém (sempre há um porém), apenas uma pequena parte dessa população consegue estabelecer um filtro entre a verdade e a ficção. São aqueles que não vão comprar determinada roupa só porque a protagonista da novela usa. Ou que não irão repertir bordões de personagens a exaustão. Isso se chama “opinião própria”. Mas aí podemos fazer uma velha relação: brasileiro históricamente sofre de problemas de baixa-estima e precisa ser amado. O povo vê a menininha pobre se dando bem na TV e resolve ser que nem ela. Em tudo. Achando que a sua vida vai mudar também, e que vai encontrar um galâ-príncipe no final. Aí a novela acaba, a moda acaba, e ela tem que começar tudo de novo, seguindo uma nova história.

Mas como este blog é de música, provavelmente você já se pegou cantarolando Beijinho Doce nos últimos dias, não é mesmo? Ou qualquer música do Vitor e Léo. Isso porque a novela A Favorita foi a responsável por alavancar estes hits atuais, principalmente pela trama envolver o conflito entre uma dupla sertaneja.

O problema, meus caros, se chama Caminho das Índias. A novela que irá substituir A Favorita, como o próprio nome diz, terá uma história que passa pela cultura hindu. Talvez você já tenha visto isso em algum lugar, não é mesmo? Lembra da novela O Clone (coincidentemente da mesma autora, Glória Perez), que abordou o islamismo? Não? Então vamos supor que você não goste de novela e não tenha assistido O Clone. Provavelmente você ouviu essa música, senão dançou ela em alguma formatura sob influência do álcool:

Com Caminho das Índias não vai ser diferente. Nós vamos ser saturados por uma onda de músicas indianas em tudo quanto é lugar. Arrisco a dizer que um monte de menininhas passará a aparecer com aquele sinal na testa típico da cultura hindu. E nós, seres reflexivos de opinião própria, teremos nosso gosto musical reprimido em favor da moda, já que estamos em uma democracia onde a maioria escolhe por todos…

A menos que a Glória Perez, ou a pessoa responsável pela trilha sonora seja MACHO de verdade, e coloque no repertório os clássicos hindus que já caíram no gosto popular, e que apesar de ser em uma língua estrangeira totalmente estranha, todo mundo sabe cantar. Tais como::

Chiru – Golimar

Prabhu Deva – Kalluri Vaanil

Prabhu Deva – Urvasi Urvasi

Daler Mehndi – Tunak Tunak Tun

Preparem-se… Só não sei se para rir ou para chorar.

pierobarcellos-48Piero Barcellos é colunista convidado superespecial. Além de ser editor do Blog do Piero, escreve no Rock n’ Talk e na Void. O post acima é de responsabilidade do autor e não reflete a opinião da autora do blog, muito embora ela concorde com quase tudo que ele escreva.

E, já que estamos falando disso... leia também:

22 comentários »

  • Jefferson disse:

    Espero ouvir “Prabhu Deva – Kalluri Vaanil”, daqui um tempo em alguma formatura, ou aniversário de 15 anos…

    Hehehhehehehe

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    Cler Oliveira Reply:

    @Jefferson, Se duvidar, ouve até daqui ha uns 35 :p

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  • Alessandra Riete disse:

    Nossa! Concordo totalmente com o Piero!

    Acho o Prabhu Deva um gênio! Apesar da precariedade dos vídeos, a dança dele é incrível! Pra mim o melhor de todos é o “Que Sera Sera” (não deve ser assim que se escreve, mas é assim que ta no youtube). Vale a pena dar uma olhada. (Ele é o Michael Jackson de Bollywood – a parte boa pelomenos)

    Acho que Caminho das Índias (que eu não consigo deixar de ler “Caminho das Janelas” quando olho o logo…) vai ser tão irritante quanto O Clone, Páginas da Vida e etc… Eu adimito que assisto novela, e de algumas eu até gosto (principalmente as do vale a pena ver de novo). Não vejo a novela como uma coisa ruim, mas acho que um pouco de senso critico não faz mal a ninguém.

    A novela é a forma mais barata de entretenimento para quem não tem grana para sair de noite (jantar fora ou ir numa balada). Eu penso que é muito mais proveitoso ler um livro nesse meio tempo (e é o que eu tenho feito ultimamente), mas os livros são caros para a maioria das pessoas. São poucos os que podem entrar em uma megalivraria e sair com um livro que custou 30 ou 40 reais. E os cebos não são tão baratos assim, sei por experiência própria. Os livros que todo mundo quer ler (best sellers) são mais caros que os outros livros.

    As novelas tem piorado cada vez mais com o passar dos anos. Há pouca inovação nas tramas e formatos. As emissoras apenas repetem aquilo que ja fez sucesso com remakes e cópias descaradas de roteiros antigos, com uma roupagem moderna. Sinto falta de inovação. Talvez seja isso que explique a queda de audiência da globo em relação à alguns progrmas de outras emissoras. Vejo isso de uma forma positiva.

    Caminho das Índias vai ser irritante e previsivel como qualquer outra novela da Glória Peres. Mas acho que para quem nunca foi à India, e nunca terá condições de ir, vale a viagem.

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    Cler Oliveira Reply:

    @Alessandra Riete, Bom te ver por aqui! Eu também não sou fã de assistir novelas. Essa de conhecer outras culturas por meio delas nem sempre rola. É tudo muito esteriotipado. Não preciso ir às Índias. Basta ter uma novela que se passa no Piauí…

    Eu me irrito com as novelas quando oo autor deixa o público decidir o rumo da história. Isso me tira do sério.

    A última grande novela que eu assisti todinha foi “celebridade”. Mesmo com a Mallu Mader no elenco, eu assisti. Era fã do jornalista vilão mau-caráter, Renato Mendes, vivido pelo fodioso Fabio Assunção (adoro ele).

    Mas vou dar um crédito para a Gloria Pérez. Não gostei de O Clone, mas adorava Explode Coração. Por isso, merece o meu crédito

    Bom mesmo te ver por aqui, Riete. De verdade. Saudades!

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  • Diego Camara disse:

    Bom o texto, apesar de ter, na minha opinião, alguns deslizes que não condizem realmente com a capacidade do autor.

    O que não compreendi foi o fato de chamar de ignorante qualquer pessoa que não assista novelas. Interessante o autor considerar uma pessoa ignorante apenas por achar que seu tempo não deva ser perdido assistindo uma obra de ficção extremamente fantasiosa e cheia de clichês (todas as histórias são sempre iguais, mudando alguns detalhes técnicos e a ótica do autor).

    Eu não assisto novela alguma, e nem por isso sou ignorante ou estou totalmente alienado em como este tipo de programa de televisão repercute em meio a população (principalmente aos mais pobre, o alvo deste tipo de programação barata da Rede Globo). Tenho total consciência de para que servem as novelas dentro do contexto de comunicação, tanto na teoria quanto na prática.

    Por outro lado, acho interessante as suas palavras, ao dizer que são ignorantes as pessoas que acham que as novelas são uma completa alienação. Mas posso lhe provar que o são sim, e em teorias de comunicação aplicadas isso é facilmente percebido com facilidade (até mesmo por pessoas mais leigas). Como você mesmo citou:

    “Como todos vocês sabem, brasileiro não está acostumado com três coisas: democracia, reflexão e opinião própria.”

    Mas meu caro, estas não são as principais demonstrações de total alienação de um povo? Um povo alienado não é aquele que não pode formar opinião própria, não é capaz de formar consciência política e nem refletir de maneira crítica por qualquer meio que seja? Pois é…
    Afinal, por que o povo brasileiro é desta maneira? Dentre diversos fatores, os meios de comunicação são grandes agentes culturais em uma população. Um povo é aquilo que lê, aquilo que assiste e aquilo que ouve, tudo que se encontra dentro do seu repertório de comunicação é parte intrínseca da sua pessoa. A TV hoje, e isto é comprovado cientificamente dentro da Comunicação, é um dos principais influenciadores da população brasileira.

    A novela não é alienante? Você mesmo comprova isto em seu texto, nas afirmações:

    “Uma novela é capaz de ditar mudanças de comportamento, seja ela na moda ou numa boa causa, como a doação de medula óssea.”

    “O povo vê a menininha pobre se dando bem na TV e resolve ser que nem ela. Em tudo. Achando que a sua vida vai mudar também…”

    A maioria sofre de uma alienação constante, então não vejo realmente porque dizer que “pessoas ignorantes que dizem que não assistem novela, que é uma alienação, etc” não estejam falando uma bela verdade. A população brasileira é alienada em sua grande maioria. E quem pode perceber isto não é uma pessoa realmente ignorante independente do significado da palavra que você esteja usando (não é uma pessoa estupida, grosseira, muito menos que não possui conhecimento, a afirmação, a menos que seja feita por osmose, é muito consistente).

    Francamente, vendo seu texto e sua capacidade de raciocinar, apenas posso supor que tenha tipo um pequeno engano ao fazer esta afirmação.

    Por último, concordo plenamente com o ridículo que teremos que aguentar agora com esta nova novela indiana com atores nordestinos de sotaque carioca. Apenas gostaria de fazer uma pequena ressalva:

    “E nós, seres reflexivos de opinião própria, teremos nosso gosto musical reprimido em favor da moda, já que estamos em uma democracia onde a maioria escolhe por todos…”

    Isto de escolher por todos só vale na democracia (graças a Alá). Na música, na televisão, no jornalismo, você sempre tem a capacidade de escolher o que ouvir. Ainda agora que inventaram o MP3 Player e o fone de ouvido, amazing! Não tenho mais que suportar funks na minha orelha, apenas aumento o volume do meu tocador.
    Como eu igualmente não sou obrigado a aguentar a música indiana/funk/pagode o que seja, também tenho o direito de ver a novela ou não, e não ser de maneira alguma ignorante por isso.

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  • Eduardo disse:

    “O que não compreendi foi o fato de chamar de ignorante qualquer pessoa que não assista a novelas” [2]

    Já vi algumas novelas. Sabe por que parei? Porque dá nos nervos saber que tudo vai dar sempre errado até a última semana. Os mocinhos estão se acertando e… puft: o vilão arma um plano. Uma semana depois, um projeto do mocinho vai dar certo e… pluft: o vilão arma outro plano óbvio. Dá vontade de bater nos mocinhos, de tão burros que são.

    Isso, aliás, é uma das facetas negativas das novelas, que DEFORMAM a consciência da população ao invés de instruir. Dos seis meses no ar, o vilão se dá bem em 5 meses e 3 semanas. o mocinho se ferra esse tempo todo, pra só se dar bem no final. Qual é a lição que fica? Vendo os trambiqueiros felizes da vida e por cima da carne seca, que tipo de comportamento as crianças e adolescentes vão preferir imitar?

    Outro exemplo: José Wilker era amante da Cláudia Ohana, e ela deu pra outro cara. Ele pegou uma faca e fatiou a cara dela. A filha dele disse: “Você está certo, papai. Ela mereceu”. E o país inteiro estava assistindo. Que bela lição os espectadores aprenderam (gente, em grande parte, com limitada capacidade de discernimento, pronta para imitar comportamentos e opiniões exibidos na novela).

    Outro exemplo: A Malu Mader dá uma surra na Cláudia Abreu no banheiro. No dia seguinte, ela tem um crise de consciência e diz para a sobrinha (juliana Knust): “Não sei se eu agi bem”. A resposta: “Você fez o certo, tia. Ela mereceu”. Mais um exemplo de como a TV deseduca.

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    Cler Oliveira Reply:

    @Eduardo, Olhando o resumo da Ópera, estás coberto de razão. Mas tem aquelas na que também ajudam a mudar alguma coisa – se o fato é pseudo ou não, pouco importa – como no caso das crianças desaparecidas (muitas foram encontradas) ou no incentivo da criação da Lei do idoso. São coisas aconteceram devido à força das novelas. É vergonhoso um país depender disso pra mudar alguma coisa? É, mas se tem funcionado em alguns casos, é o que importa.

    Mas muito pertinentes as observações!

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  • Piero - Hit Na Rede disse:

    Vou responder tanto ao Eduardo quanto ao Diego.

    Vocês pegaram um contexto da frase e interpretaram da maneira que quiseram. A frase inteira que escrevi foi: “Numa roda de amigos onde o assunto do momento é a trama global (ou recordal, sei lá), sempre tem um ignorante pra dizer que não assiste novela, que isso é uma alienação, etc. e tal.” Ignorante, segundo o dicionário, é “o indivíduo que ignora”. No caso, ignora o assunto onde todo mundo, menos ele, esta interado.

    Toda obra de ficção é uma alienação da realidade, seja ela uma novela, seriado americano, livro, filme, enfim. Se expandirmos o assunto, podemos dizer que está acontecendo uma guerra na Faixa de Gaza por conta de uma alienação milenar, onde cada um tenta provar que o seu Velhinho sentado no céu que vê tudo e sabe de tudo é melhor que o do outro. A fantasia faz parte da essência humana, não há como negar.

    O que tento explicar é que, por conta de uma maioria que não tem pensamento crítico, não conseguiremos escapar da parte ruim da novela. Talvez vocês não me entendam agora, mas quando as amigas de vocês desandarem a falar “Jesus me abana”, ou ouvirem música indiana em alguma situação que estejam desprotegidos pelos fones de ouvido do MP3, irão entender.

    Agora vou deixar uma pergunta para refletirem: é a novela que deforma a consciência da população, ou é a falta de consciência da população que “se deixa deformar” pela novela? Pensem nisso.

    Bah, deu quase um novo post! hehehehe

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    Eduardo Reply:

    @Piero, lá vem vc com aqueles brios de artista, de dizer que “quem discorda de mim, é pq não me entendeu”.

    Mas tudo bem, a linguagem tem dessas armadilhas. Nossa comunicação nunca ocorre em condições ideais.

    Quanto à sua pergunta retórica: existe sim a falta de consciência da população. Que é perpetuada por vários fatores, entre eles toda a merda destilada pelas novelas, BBBs e programas da auditório.

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    Diego Camara Reply:

    @Piero,

    Francamente não vejo esta manipulação, acredito que não deva ter lido totalmente meu comentário, pois a afirmação inicial pouco tem a ver com o resto do conteúdo, onde crio as ponderações para a afirmação.

    Eu conheço bem os termos de ignorante para o dicionário, e trago eles aqui:

    ignorante
    [Do lat. ignorante.]
    Adjetivo de dois gêneros.
    Substantivo de dois gêneros.
    1.Diz-se de, ou pessoa que ignora, que não tem conhecimento de determinada coisa.
    2.Diz-se de, ou pessoa que não tem instrução, que não sabe nada:
    Como pode ocupar esse cargo, se é tão ignorante?
    3.P. ext. Bras. pop. Falto de educação, ou aquele que não a tem; estúpido, grosseiro.

    Eu deixei bem claro em meu comentário, se não leste, que não importa qual dos significados esteja sendo utilizado no “ignorante” citado em sua frase. O fato é que uma pessoa pode muito bem saber sobre novelas e como elas trabalham com a mente do público mesmo sem assisti-las. Se tu consideras isto algo ignorante de alguma maneira, volto a repetir que deve rever seus conceitos ou rever sua generalização sobre o termo (mesmo que o termo “não vejo novelas, são alienantes” é um belo clichê utilizado para demonstração de superioridade).

    Eu compreendo muito bem o que as novelas criam dentro da mente destas pessoas que afirmou. Quando você possui noções de comunicação na área teórica é simples visualizar o impacto que qualquer programa de TV pode causar hoje em seus telespectadores (acredito novamente que não leu totalmente meu comentário, onde afirmo claramente isto).

    “Toda obra de ficção é uma alienação da realidade, seja ela uma novela, seriado americano, livro, filme, enfim.”

    Não quero realmente entrar neste ponto, que para mim foi francamente infeliz. Uma generalização sem sentido que apenas está visualizando uma pequena porção de um todo. Livros de ficção são todos alienantes? Filmes igualmente? É colocar tudo o que já foi criado em milênios de história em um grande balaio, sem diferir ao que prejudica e ao que auxilia o pensamento humano. Não posso ver hoje que todas as obras literárias deste tipo são alienantes. Na verdade este paragrafo apenas tenta criar uma visão extremista do hegelianismo, que é algo tão passado que não vale realmente comentários, afinal Hegel nunca foi capaz realmente de ver o utilitarismo dentro das artes (e a TV se inclui dentro disto).

    Entendi muito bem o que quiseste explicar, e como eu declarei, acredito que fizeste afirmações que me pareceram verdadeiras durante boa parte do texto. Apenas me grudei nestes detalhes, que achei que foram infelizes, e não estou tentando tirar o mérito do texto que foi bastante inteligente.

    “Agora vou deixar uma pergunta para refletirem: é a novela que deforma a consciência da população, ou é a falta de consciência da população que “se deixa deformar” pela novela? Pensem nisso.”

    A consciência da população já esta deformada há um bom tempo. O entretenimento barato, seja ele de qualquer tipo, somente tem como objetivo a manutenção desta “Ordem Social” que está instaurada no país por conta do comodismo e da perca do pensamento crítico. A novela é um nada, um pequeno lixinho em todo a rede que se forma em torno da alienação do público. Ela não cria nada, ela apenas reproduz o que o público deseja, o entretenimento barato. A novela hoje não é um instrumento de deformação, poderia até mesmo arriscar que nunca foi realmente um elemento deformante da sociedade mas isto traria riscos ao adentrar mais no passado, mas sim um instrumento de perpetuação desta deformação social, unido a diversos outros fatores que eu prefiro não entrar em detalhes (fatores sociais, culturais e econômicos principalmente).

    Um contexto destes é amplo demais para se reservar apenas a uma novela. É um cenário realmente complicado de estudo aprofundado.

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  • Eduardo disse:

    Um P.S.: Eu não deixei de ver novelas por achar que elas são “instrumentos do Grande Satã para imbecilizar o povo” (embora também sejam), mas sim porque

    a) não tenho tempo

    b) simplesmente não gosto

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    Diego Camara Reply:

    Concordo plenamente com o que foi dito pelo Eduardo, e assino embaixo.

    E faço um adendo:

    A manipulação de qualquer tipo só funciona com aqueles que são manipuláveis.
    Afinal o autor deste texto por exemplo vê novelas (ou pelo menos parece ver), e realmente posso considerar ele um pensador crítico até mesmo dentre os seus gostos pessoais.

    Parabéns novamente ao Piero pela crítica.

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  • Gabriel Lucas disse:

    A música da chamada da novela, aquela em que aparecem todos os atores da trama, tem uma música indiana bem legal!

    Abraços,

    Gabriel Lucas
    http://factoide.wordpress.com

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  • Aline disse:

    Eu gosto de ver novelas sim,assumo…
    Porém as novelas da Glória são sempre fantasiosas ao extremo,é só nas novelas da Glória que vemos brasileiros convivendo com culturas de outros países,morando nestes,como se isso fosse a coisa mais normal do mundo!!È cômico no mínimo,também os romances são ejoados demais..
    E as passagens de tempo que ela usa então,nem se fale..kkkMe lembro que no Clone passam-se décadas e a Jade e o Lucas(personagens de Giovanna Antonelli e Murilo Benício)estão sempre novinhos,nunca envelhecem..kkkPrefiro novelas mais inteligentes,e com suspenses,a Próxima Vítima por exemplo,que suspense do início ao fim!Embora um filme acrescente muito mais para a cultura,por que não se enrola meses a fio pra se ver o desfecho..
    Agora novelas como Roque Santeiro,com contexto politico como aquele,está pra existir e coragem para fazê-las também!Apesar de ter sido muito fantasiosa,mas eram fantasias cômicas ,diferentes das da Glória Peres que quer fazer o telespectador engolir tanta barbaridade como se fosse tudo real..kkkE a trilha sonora daquela novela então,sem comentários!!
    Agora quanto a Trilha sonora,gostei bastante da nova do SBT,só da trilha tá,por que o todo o resto,nem é bom comentar…A novela Revelação desencavou o Sá,Rodrix e Guarabyra,uma surpresa pra mim!Adoro a música da abertura,tem ritmo e a letra lembra um reviver das letras de novelas de Roque Santeiro..(um rock rural)

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    Piero Reply:

    @Aline, Eu sinto falta das novelas interioranas cuja cidade fazia fronteira com Cerro Azul, e onde sempre tinha um debilóide que passava a perna em todo mundo ou tinha um mistério sobrenatural com ele.

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  • Nadave Links 33 | Nadave.net disse:

    [...] No Caminho da Indiada [...]

  • Aline disse:

    Você disse mistério,lembrei na hora do bordão: Mistérioo da dona Milu do Roque Santeiro,e do personagem que virava Lobisomem,uma fantasia sadia,onde o autor não quer te persuardir a acreditar nas coisas,é pura e simplesmente a fantasia onde todos sabem que é uma lenda..
    Gostei muito daquela Pedra Sobre Pedra também,novela interiorana que tinhao alquimista,onde um grande mistério se escondia ali,o ouro de tolo.Lembram??è um exemplo desse tipo de novela,acho que está faltando isso hoje em dia.
    A Irís Abravanel com a sua Revelação acho que quis tentar trazer isso de novo,mas falta-lhe o talento,a magia global,falta o humor no texto,a leveza,a inteligência dos personagens,acho que é isso,a novela não empalcou!rs..rs..

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    Piero Reply:

    @Aline, Ih… são tantos. Tinha um que era o Osmar Prado que fazia, que em noite de lua cheia tinha que ficar trancado em casa, e no final da novela ele saiu voando. E o Emanuel, abobado que o Selton Melo fez antes de ficar arrogante.

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  • Aline Fioco disse:

    Eu lembro desse,o duro é ligar o nome dos personagens ao nome das novelas,não tenho tanta memória pra guardar nomes,mas os personagens bons ficam marcados mesmo.Recentemente teve o Boanerges de Cabocla(Tony Ramos) Meu Deus hilário,como gostava dele,e a briga que travava como o coronel Justino,me diverti a bessa com ele!!
    E pelo que percebi Piero,você entende mais de TV do que eu,me responde uma coisa o Selton Mello ficou arrogante antes ou depois do Chicó?(auto da Compadêcida) na minha opinião o melhor personagem dele de cinema,tenho impressão que depois disso,ele começou a se dedicar mais ao cinema,porém com filmes naõ tão expressivos como esse.Uma das melhores comédias do cinema brasileiro,na minha opinião..
    Mas,não sei só sei que foi assim..(KKKK)

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  • Lig disse:
  • Paula Toller dá show na divulgação do DVD e CD NOSSO | Nada por mim | Caminho das Índias | Hit Na Rede disse:

    [...] em tudo quanto é coletânea do Kid Abelha, chegou a vez de Nada por mim parar na novela das oito, Caminho das Índias. Dou um desconto porque, embora seja do KID, a versão acústica ficou bem bontinha. Dá pra ver [...]

  • josé carlos disse:

    A alienação não atinge somente aos mais estúpidos,e sim as classes considradas alfabetizadas e oriundas de faculdade com diploma e tudo que tem direito.Tudo que diz respeito aos desejos mundanos dos quais somos portadores,são canalizados para isso as técnicas psicológicas mais modernas,e para isso profissionais submetem-se a escravizar culturalmente seu próprio povo.Novelas,futebol,cantores,etc…

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