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O curioso carisma de Benjamin Button e algumas canções que não envelhecem


[28 Jan 2009 | 4 comentários | Cler Oliveira]

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“É uma fábula, mas depois de um tempo você esquece tudo. Você pensa que é uma história real, você está seguindo personagens reais. Você acha que é uma história verdadeira“.

(Alexandre Desplat – criador da trilha sonora de O curioso caso de Benjamin Button em entrevista KCRW)

Não sou uma cinéfila. Adoraria ser aquelas pessoas que são cópias rotas e menos chatas de Rubens Edwald Filho e falam com propriedade sobre qualquer filme de qualquer época. Mas não sou. Portanto, se você entende de cinema mais do que eu, não fique se gabando porque isso não é uma dádiva divina. Achei importante ressaltar porque, se você quiser uma resenha com base nos conhecimentos de quem, REALMENTE, entende do assunto, deixo alguns links de sugestões para leitura:

E no Judão, no Rosebud é o trenó, no Pipoqueiros e numa infinidades de bons blogs sobre o assunto

Dito isso, prossigamos.

O maior nome do Oscar 2009, com 13 indicações, pode ser mais um daqueles filmes que prometem levar todas as estatuetas mas no final leva pra casa apenas os prêmios técnicos. Mas no caso de Benjamin Button, prêmios técnicos de ‘apenas’ não terão nada. É impressionante a transformação de Brad Pitt em um homem de 80 anos. Vendo a dica do Brainstorm #9 sobre o making off da produção, vemos que Mr. Jolie atuou, em grande parte das cenas sozinho, já que em seu lugar, estavam outros atore nos quais foram colocadas as suas expressões

O curioso case dos efeitos visuais de Benjamin Button (no Ropeofsilicon.com)

Benjamin é um filme lindo. Ponto. E se Brad Pitt não levar o Oscar (o que eu acho que não leva mesmo) é porque ele foi traído pelo cara que não deu a ele uma grande cena. Ao contrário de Tom Hanks em Philadelphia que tinha uma grande carga dramática e até cenas vicerais, o trabalho de Pitt é muito mais de efeitos visuais do que de interpretação. A academia pode pensar como eu pensei: qualquer pessoa poderia ter feito Button igual ou melhor que Mr. Jolie. Próóóóximoooo!

Cenas de Philadelphia - perfeita sincronia entre maquiagem e interpretação

E não pense que eu não gosto Brad Pitt. Pra mim, é um dos maiores atores de Hollywood por apenas um motivo: ele rouba muitas cenas apenas com o olhar. Em todos os filmes que ele participou e eu assisti (ou seja, quase todos), as cenas mais marcantes foram aquelas em que ele segurou o osso no olhar. Sem uma palavra. Em Benjamim, esses momentos foram raros, mas existiram.

Na realidade esse poderia ser o ultimo filme de Pitt, que ele poderia morrer feliz. Dificilmente, nos próximos anos, irá cair nas suas mãos uma produção tão primorosa e enigmática quanto essa. Benjamin Button é para Brad Pitt, o que Magnólia foi para Tom Cruise: um marco.

Sobre a trilha

Benjamin tem uma trilha deliciosa e delicada que nasceu da sensibilidade de Alexandre Desplat, um cara que já fez canções para dezenas de produções européias entre cinema, comerciais e teatro. A história às vezes é embalada pela melancolia de uma vida fora de seu tempo, outras, pela vitalidade do som de New Orleans. O belíssimo instrumental justifica a indicação ao oscar de Melhor Trilha Sonora.

Alexandre Desplat

Alexandre Desplat - responsável pela trilha de Benjamin Button

Durante o filme todo é possível encontrar pegadas blues e Jazz dominam a cena. E não poderia ser diferente. A alma negra está em todo o filme por meio da familia adotiva de Button.

Come on, come on, come on baby, now…

Mas é certo que um homem que nasceu em 1918 e rejuvenesce a cada ano que passa conseguiu aproveitar, no auge de sua jovialidade, a Beatlemania. E, para exemplificar essa loucura, nada como o grupo mais famoso de todos os tempos, em suas lendárias aparições ao vivo na década de 60, com o tradicional griteiro que acompanhou os rapazes de Liverpool por muito tempo

Ah, Brad… you know you look so good (LOOK SO GOOD!)

A escolha por Beatles certamente não foi aliatória, alías, o grupo inglês é um ícone que parece ser eterno. Embora dois dos quatros já tenha morrido, a obra continua imortal e, como Button, se renova a cada ano, por meio das novas midias.

The Boswell Sisters – um grupo de New Orleans da década 30

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The Boswell Sisters

Benjamin fez um dos lances mais sensacionais que foi ressucitar o grupo The Boswell Sisters formado pelas irmãs Martha, Connie e Helvetia Boswell, todas, embora nascidas em outraos Estados, criadas em New Orleans. Emplacaram 20 hits durante a década de 30 e não foi à toa: Ella Fitzgerald se declarou fã apaixonada pelas sisters.

Infelizmente, nenhuma delas está viva para ver o sucesso que a sua música faz na trilha do filme. Mas certamente elas sabia que a música é eterna. Alguém duvida disso?

Para aqueles que querem ouvir toda a trilha, podem ouvir (enquanto não tiram do ar por direitos autorais e outros mimimis do Youtube) neste perfil.


Sobre Benjamin Button:

Você sabia que…

A voz tanto de Daisy criança quanto de Benjamin velho era a dos próprios atores Cate Blanchett e Brad Pitt, adaptada pelo fabuloso trabalho do Engenheiro de Som? (fonte: entrevista de Alexandre Desplat à KCRW – em inglês)

 

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Cler Oliveira

Cler Oliveira, jornalista, gaúcha, apaixonada por música, sobretudo U2, Bon Jovi e Coldplay. Estudiosa constante de Kurt Cobain. Curte pop rock internacional dos anos 80, 90 e tudo o que agrade os ouvidos depois dos anos 2000. Também redatora no www.mudarock.com.br.

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