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Sobre meninos e homens


[27 Jan 2009 | 5 comentários | Piero Barcellos]

Jerry Lee

Essa é uma daquelas histórias que ilustra bem o que é o rock’n'roll. Nos anos 50, grande parte dos programas de TV eram gravados em teatros, com espaço o suficiente para comportar o público. Principalmente quando as atrações principais eram músicos que tocavam um certo ritmo contagiante e, segundo alguns, deturpador de mentes. Naquela noite do dia 28 de julho de 1957 iriam se apresentar no The Steve Allen Show dois artistas. Um deles, negro, mestre da guitarra e já conhecido do grande público, Chuck Berry. O outro, um branquelo, vindo de uma família evangélica, que buscava notoriedade tocando piano. Seu nome era Jerry Lee Lewis.

Os produtores do programa decidiram que Berry, por conta da sua consolidada carreira, faria o show principal, enquanto Lewis faria a abertura para ele. O jovem pianista encarou isso como uma afronta, mas engoliu em seco e disse um “tudo bem”. Jerry Lee não tinha a popularidade de Chuck Berry, mas sua fama de baderneiro e temperamental já era conhecida nos bastidores.

O que aconteceu? Bem, dizem as testemunhas que foi isso:

(Cena do filme Great Balls Of Fire)

E então ele passa por Chuck Berry e diz: “Vai lá e tenta fazer melhor!” Não é a toa que seu apelido na época da Sun Records era “The Killer” (O Matador).

Passaram-se mais de cinquenta anos, e os protagonistas desta cena ainda continuam de pé. Chuck Berry, inclusive, passou por Porto Alegre ano passado – e apesar do peso da idade, provou que ainda consegue mandar muito bem. Jerry Lee Lewis também! Em 2006 ele lançou o CD Last Man Standing (O Último Homem de Pé), dividindo o microfone com diversos músicos. Entre eles, Kid Rock:

Mais do que uma provocação direta aos seus contemporâneos, o título do álbum que vendeu mais de 250 mil cópias nos EUA é uma ironia aos tempos atuais. Na ânsia da ganância econômica, gravadoras insistem nos modelos musicais comerciais para atingir a população. Colocam prefixos ao rock para dizer que é algo novo, diferente. No fim, temos um lixo musical atormentando os ouvidos, que duram no máximo um ano. Amanhã, será que serão lembrados? Creio que não.

Enquanto isso, li na Folha Online que Jerry Lee Lewis, no auge dos seus 73 anos, anunciou que vai lançar um novo album neste ano. E é bem provável que ele não pare por aí.

É isso que diferencia os homens dos meninos. Moleques duram pouco no cenário musical, sendo sucedidos por artistas que também seguirão o “hype” do momento. Todos estes que aí estão, por conta de um marasmo criativo e comercial, sempre ficarão à sombra do último homem de pé. E este, sempre estará olhando para os novos artistas de cima para baixo, dando uma ordem que não será cumprida tão cedo, e que ainda o faz ficar de pé e na ativa:

“Vão lá e tentem fazer melhor”.

pierobarcellos-48Piero Barcellos é colunista convidado superespecial. Além de ser editor do Blog do Piero, escreve no Rock n’ Talk e na Void. O post acima é de responsabilidade do autor e não reflete a opinião da autora do blog, muito embora ela concorde com quase tudo que ele escreva.

 

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  • http://hitnarede.com Cler Oliveira

    Metendo o bedelho… Como acompanho teus textos nos mais diversos meios, posso dizer que este entrou no meu TOP 5. Porém,a única parte com a qual não concordo é a generalização. Concordo com o Hamilton sobre as tecnologias/geração. Até a limitação dela refletia talento. Hoje tudo parece muito fácil. E de fato é. Mas existe boa música, muito embora tu não curta ou, dependendo do que falamos, eu não curta. É uma questão muito pessoal.

    Acho esses old school uma brilhante referência para qualquer músico de qualquer geração. São únicos. Tinham atitudes. Não é necessário fazer igual e nem possível fazer melhor, mas também, não podemos ignorar as várias gerações que vieram depois. Sou pop world rock n’roll music (o rótulo foi proposital :) ) e curto muita gente que veio depois apenas tratando-os como assuntos diferentes. Seria injusto comparar. Mesmo Elvis sendo um dos meus favoritos, não me arriscaria a compará-lo nem com os seus contemporâneos.

    Talvez eles não estejam tentando fazer melhor. Apenas diferente. Alguns acertam, outros fracassam mas o tempo e nem a história não param.

    “every time you do that thing you do…”tã nã nã nã.

    Responda este comentário

    Piero Barcellos - Colunista Convidado Reply:

    @Cler Oliveira, É uma questão de gosto, Cler. Simplesmente não gosto. Agora, por que é atual e é o “hype da galerinha” eu sou obrigado a gostar? Acho que não. Indie rock e electro rock, para mim, estão no mesmo patamar do emocore e do funk – classificados como “não ouça”. Mas isso é um gosto pessoal MEU.

    Os grandes caras da música, como Elvis, Chuck Berry e Jerry Lee Lewis, surgiram em épocas diferentes, com questões sociais diferentes. Lógico que é impossível comparar. Porém, as principais diferenças que eu vejo entre os músicos daquela época e os atuais são duas: talento e fúria. Não existe isso hoje em dia.

    Talento e fúria? Isso rende outro post, chefe!

    Responda este comentário

  • http://leitedevaca.com/ Hamilton

    Bah, não posso deixar de comentar este post extremamente ofensivo a artistas novos e novas tendências musicais.

    Respeito ele e o negrão aí citados. Pra mim, Os Caras são outros, mas tranquilo. Não vem ao caso. O que vem ao caso é que tu não está reconhecendo novos artistas e isso é um erro gravíssimo.

    Antes de alguém se expressar, parece que tu não quer nem ouvir pois a tua referência do passado será melhor que a nova. Por que tem que ser melhor? Das citações que tu fez no twitter, sempre comparava artistas novos com lendas, isso não se pode fazer. Outro erro grave. São pessoas diferentes, épocas diferentes, pensamentos diferentes, tecnologias sonoras diferentes…

    E o fato do Jerry Lee Lewis lançar um disco novo e se manter ativo não tem nenhuma coisa a ver com a continuidade de qualidade do artista. Joey Ramone já disse uma vez que não queria os Ramones vistos como os Rolling Stones, que depois de tantos anos, sustentam turnês iguais há décadas. Artistas clássicos vivem de músicas clássicas. E ponto.

    Na boa, músicos como ele já passaram da fase de surpreender com coisas novas. Ou lançam um disco muito parecido como os já lançados, ou continuam turnês revivendo os velhos tempos.

    Parece que a todo custo não que morra com o trabalho, sempre querem continuar. Lembra bastante casos de jogadores de futebol, que não sabe parar na hora certa. Tudo acaba um dia. Até grandes amores acabam.

    E tenho que olha torto pra esse disco novo dele aí… Poxa, parceria com o Kid Rock? Este cara é muito fake/fail, não?

    Responda este comentário

    Piero Barcellos - Colunista Convidado Reply:

    @hamilton Tu me critica por não ouvir os artistas novos. Mas está olhando torto pro CD do cara só pq tem o Kid Rock? Eu ouvi o CD e garanto: é bom!
    Cara, eu posso citar inúmeros artistas atuais que eu ouvi e realmente acho uma droga. E contos nos dedos os atuais que ouvi e gostei.

    Mas tu tem razão. Não reconheço uma penca dos da nova geração. Talvez quando essa onda de electro e indie rock passar, e surgir algo realmente bom, eu reconheça. Até lá, eles “tentarão fazer melhor”.

    Responda este comentário

  • Junior Lins

    “Vão lá e tentem fazer melhor”. Começou com aquele ar de “eu sei do que ele vai falar…”, continuou com aquela sensação de “po, o caa entende o que eu sinto e tá falando do jeito certo” e terminou com um “é isso aí”, e com um “tomara que todo mundo leia isso…”.

    Responda este comentário