Alanis: o talento que transcende a forma física

“…I’m short but I’m healthy, yeah!”
(Alanis)
A primeira vez que que vi uma foto / clipe de Alanis Morissete em 2008 foi quando ela lançou seu último álbum Flavor of Entanglement. Na época, confesso que levei um susto quando vi que a voz daquela poderosa continuava a mesma, mas o corpo tinha ganho, no minínmo, uma dezena de quilos a mais.

Custei para acreditar que aquela que estava desengonçadamente sobre o palco do Rock n’ Rio Lisboa era a mesma mulher de corpo frágil, sem grandes atrativos físicos, exceto pelas cordas vocais. Era vero. Alanis estava gorda. E, quer saber? Continuava uma bela mulher.
No Rock in Rio Lisboa – Junho de 2008
Um mês depois, comprei a revista Rolling Stone e vi uma entrevista com muitas fotos da canadense. Não era aquela mulher extremamente magra, cujo peso virou quase que uma marca, e nem a mulher de formas volumosas como vi alguns dias antes. Alanis estava emagrecendo. E, quer saber? Estava muito bonita.

Alanis linda na Rolling Stone
Agora, em sua turnê pelo Brasil, mais uma vez me surpreendi ao ver que Alanis havia voltado a antiga forma, como se jamais tivesse estado acima do peso. Alanis estava magra. E, quer saber? Continuava linda.
Alanis, no dia 1º de fevereiro no Domingão do Faustão
Alanis, ao contrário de muitas outras cantoras, nunca teve seu talento medido pelo tamanho da bunda. Uma das maiores vozes do planeta, sempre foi relevante para o showbussiness, independente de ser magra ou gorda. Suas canções sempre foram ouvidas e compreendidas por uma multidão de fãs que, não raras as vezes, param tudo o que estão fazendo para ouvir o que ela tem a dizer.
A maior prova disso é que Alanis nunca se intimidou com o seu corpo e, além de usá-lo para protestos, ainda fez críticas bem humoradas ao tal american way. Em 2004, durante o Juno Awards, do qual foi apresentadora, Alanis lavou a alma dos americanos menos puritanos ao entrar de roupão e tirá-lo em frente às cameras desafiando o asco dos americanos que repudiaram o incidente dos seios à mostra de Janet Jackson
“No Canadá, ainda se vive num país onde acha-se o corpo humano bonito e não se tem medo dos seios de uma mulher”
Ao mesmo tempo que mandou o seu recado para a rainha do rebolado pop, Fergie, com a sua paródia de My Humps, fazendo do vídeo um viral imediato.
“Adoro fazer cover de músicas em que posso colocar a letra em destaque, para que as pessoas prestem mais atenção nelas” (Rolling Stone)
Alanis gorda, magra, nua ou rebolando.
O que isso importa?
Para os admiradores de seu talento? Absolutamente nada. Confesso que fiquei mais decepcionada com indícios de estrelismos demonstrados nos seus primeiros dias no Brasil do que vê-la fora de forma em junho do ano passado. Os padrões de beleza da sociedade na qual vivemos são cruéis. Sei porque sou uma eterna acima do peso que atualmente trava uma batalha ferrenha contra a balança. Mas, analisando friamente, quando se tem algo a oferecer além do corpo, é possível que a pessoa mais cruel seja você mesmo e não a tal sociedade.
Alanis diz estar feliz com o seu peso de volta. Sente-se bem consigo mesma e tem disposição para dançar todas as noites, caso quisesse. Por outro lado, seu namorado, Tom Ballanco, diz não se importar se a cantora está acima do peso ou não. Voltar à antiga forma foi uma opção. E ela conseguiu.
O segredo? Saber o que quer e ir atrás
Fazer dieta não é fácil e, engana-se quem pensa que para Alanis seria. Como um ser humano normal, a cantora foi a uma livraria e lá encontrou um livro chamado Eat to Live, do Dr. Joel Fuhrman. Pelo menos foi o que ela disse a Revista OK. E, pelo que podemos perceber ela foi atrás do que quis. Para seus fãs, era a mesma Alanis. Embora a imprensa não ignorasse sua nova forma, ninguém fez dela uma piada porque ela continuava sendo, mesmo acima do peso, a talentosa Alanis Morissette.

incontáveis celebridades se limitam a sua forma física para estarem na mídia e, quando esta vai pro espaço viram motivo de ti ti ti em colunas de fofocas. Já Alanis nunca vinculou seu talento ao seu corpo e, por esse motivo, continuou sendo amada pelos seus fãs independente do tamanho de suas calças.
Então, moral da história:
Mulheres: vamos nos valorizar mais! Isso serve mais pra mim do que pra quem está lendo o que escrevi.Quando você realmente sabe quem é e onde quer chegar, o jeito é ligar o “deixe que digam, que pensem, que falem”. Pouco importa o corpo, mas sim o talento que se tem.
Homens: Que tal valorizar mais as mulheres pelo que elas realmente são, independente de serem gordas ou magras, ãh? Muitas vezes, vocês deixam de conhecer uma garota incrível, tudo porque ela não se parece com aquelas mulheres-photoshop dos posters pornôs da revista que você tem embaixo da cama.
“O que precisamos entender é que pra fazer bonito, transmitir algo bom seja em qual for nossa atividade, precisamos em primeiro lugar sentir isso dentro da gente…”
(Blog da Mel)








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