Youtube x Direitos Autorais: Crônica de uma morte anunciada
Um dos vídeos que saiu de circulação no Hit na Rede
Não iria me manifestar sobre o assunto Youtube contra o resto do mundo já que é bastante complexo e mais do que isso: muda a cada instante. É provavel de, quando eu terminar de escrever esse post, as regras do jogo sejam outras e, acredite: não modifica para melhor.
Como blogueira musical há tempo sinto que o Youtube já não é mais a melhor alternativa para buscas de vídeos que possam ilustrar posts. Com 246 posts escritos no Hit na Rede, arrisco a dizer que tenho inserido mais de 400 vídeos, sendo que, a esmagadora maioria é do Youtube. Não apenas pela variedade (tudo o que você imagina tem por lá), mas pela facilidade da ferramenta.
Desses quase 400 vídeos, posso dizer, por amostragem, que mais de 80% devem estar inativos. O motivo é sempre o mesmo: direitos autorais. Quem reclama, em geral é a gravadora, mas há casos em que o vídeo é retirado a pedido do INTÉRPRETE da música, do AUTOR da Música ou mesmo de quem postou o video.
Não é necessário dizer que, não apenas blogs, mas o mundo da comunicação digital que cresceu com o Youtube, sai prejudicado. O contraditório é que, justamente o que tornou o canal famoso é o que pode acabar com ele.
Exemplos de conteúdo protegido por direitos autorais:
- Programas de TV
- incluindo sitcoms, programas esportivos, divulgação de notícias, programas humorísticos, desenhos, novelas etc.
- Inclui emissoras abertas e TV a cabo, pay-per-view e assinatura de canais
- Videoclipes, como os exibidos em canais de música,
- Vídeos de shows ao vivo, mesmo se forem gravados por você
- Mesmo que você tenha gravado o vídeo, o cantor controla o direito de uso de sua imagem no vídeo, o compositor possui os direitos da música e, às vezes, o estabelecimento proíbe a filmagem sem permissão, de modo que o vídeo provavelmente viola os direitos de alguém.
- Filmes e trailers
- Comerciais
- Apresentações de slides que incluem fotos ou imagens de propriedade de alguém
(Fonte: Youtube.com)
Postar um vídeo tem se tornado uma romaria insana. Primeiro porque os com boa qualidade estão em perfis oficiais das gravadoras o que, já nasce com o aviso: incorporação desativada. Segundo, porque quando achamos um vídeo onde a incorporação está ativa, ele logo sai do ar.
Isso não seria nada ruim se houvesse um canal pelo qual fãs, blogs e meios de comunicação pudesse obter autorização e mais ainda, o material para poder divulgar o conteúdo do casting das gravadoras. Mas não há. As gravadoras não respondem nem e-mail (que o diga a Arsenal, selo da Universal, Sony e outras com as quais já entrei em contato) quanto mais arrumar meios alternativos de divulgação. FAIL e LOSER ao mesmo tempo.
Quando todos estavam envolvidos com o Campus Party 2009, a Lalai me passou o link que deixa qualquer pessoa de queixo caído com as possíveis consequências das novas regras do melhor e mais popular agregador de vídeos de todos os tempos que silencia algumas faixas de vídeos.
O negócio funciona da seguinte forma: se você fez um vídeo bacana e usou imagens SUAS ou encontradas na internet, o Youtube não retira o vídeo, apenas o áudio. Ou seja: cinema mudo. Por que? As imagens são suas, a música das gravadoras, portanto, separaram imagem e som.
Segundo o Mashable, que fez um ótimo post sobre as 5 implicações mais estúpidas do Youtube, as consequencias dessa defesa dos direitos autorais pode (e vai) acabar com o que justamente garante o sucesso do site:
- Sem virais que utilizam faixas de áudio com direito autoral
- Fim dos vídeos de anime com temas músicais populares
- Os famosos Mash-ups
- Vídeos de Guitar Hero / Rock Band
- Vídeos de dança e imitações
Mas o que na minha opinião é mais grave são vídeos nos quais o fã simplesmente demonstra seu carinho pela música do ídolo com sucessos dele. Na maioria das vezes, os vídeos são ruins, mas para quem fez tem uma grande importância. Vídeos de formatura, aniversários, Eu te amo parafernálias visuais que nada mais são do que uma mera lembrança do momento em que a pessoa viveu. Tudo isso está ameaçado.
E não adianta ficar berrando no seu perfil com disclamers que dizem que você não é detentor desses direitos. É limado igual.
Quem perde com isso?
Em primeiríssimo lugar o artista. Mesmo que ele, na sua visão de cavalo de corrida tenha pedido a retirada do seu material, ele perde. Por ser uma medida antipática, por ser uma medida desnecessária. Sua música deixa de ser divulgada para milhões de pessoas que, acreditem, consomem. Seus vídeos deixam de ser visto por um número que beira ao infinito e seu trabalho encontra na internet ao invés de um aliado, um grande inimigo.
Consumir não se restringe a compra de CDs e DVDs originais
A música pode ser considerada a única arte que pode estar com você em qualquer lugar. Portanto o ato de “consumir” música também é diferenciado. Quando um fã investe meia hora, duas ou três montando um vídeo com determinada música é porque esta tem uma relação que com ele que vai muito além do comercial.
É este mesmo fã que está sendo calado no Youtube, o cara que vai ligar para as rádios e colocar a mesma música/artista entre as mais pedidas (não entro no mérito do jabá). É o mesmo que vai indicar determinado artista/ canção em prêmios de renome e, não raras as vezes, vai fazê-lo ganhar um troféu por isso. É o mesmo fã que paga um preço absurdo para ver o seu artista ao vivo, o venera quando ninguém mais está nem ai para ele e assiste ao pior programa de TV do domingo apenas para ver por alguns minutos seu artista preferido.
O mesmo artista que quer dar visibilidade ao seu trabalho escrevendo no seu blog, no Twitter, abrindo perfis no MySpace, Youtube, Facebook e, passa a idéia de estar mais próximo do seu público, distancia o seu trabalho de onde o povo está.
As gravadoras preferem morrer abraçadas aos direitos autorais a encontrar uma nova forma de inserí-los na Era Youtube.
Os fãs ficam presos a restrições impostas por gravadoras que entram na Era da Internet com a mesma mentalidade que saíram da época do gramophone. Os admiradores não tem como compartilhar momentos de shows, de vídeos caseiros, de declarações de amor a seu ídolo sem serem taxados de violadores de direitos autorais. Criminosos.
“…o canal [Mofo TV], que possui 1.080 vídeos e 17 milhões de acessos, recebeu uma notificação de direitos autorais da gravadora Sony BMG. A gravadora não aceitou a veiculação de um vídeo que mostra uma apresentação da banda Skank no programa “Domingão do Faustão” na década de 1990.(…) José Marques Neto não pretende recorrer à decisão. Em entrevista à coluna, ele afirmou que está transferindo os vídeos para o MySpace.” (Folha On Line)
Não sou contra a proteção de direitos autorais. Como blogueira, sei o quanto isso é importante .Ficou p… da vida quando encontro textos meus, inteiros, copiados, com uma simples menção à URL do blog. Mas vídeos é diferente. Muito diferente. É o produto de divulgação do artista que DEPENDE dele para ter seu trabalho na midia. Que, na verdade, alimenta a mídia. Sem eles, fica dificil e desanimador, divulgar o novo álbum do fulaninho, a nova música do beltraninho ou o showzinho do Joãozinho de tal.
“…Por isso que o Dead Fish demourou 10 anos para entrar em uma gravadora, o Teatro Mágico não tem gravadora, a Aline Barros tem processos com a sua antiga gravadora. Porque essas p… só fazem m… e ainda queimam alguns artistas” (Forúm Batera.com)
O que estou fazendo é procurar os mesmos vídeos em outros agregadores. A Globo.com tem sido ums boa fonte. OYahoo! Videos, Blip.TV, MySpace TV e por enquanto o Videolog. Estou violando a lei? Não. Apenas dando uma ajuda para que as gravadoras comecem a entender que o futuro não vai chegar no dia em que teremos carros iguais aos dos Jetsons, mas sim que ele já chegou e quem não se adaptar ao jogo, está fora por V.O.
Mais sobre o assunto
- O pesadelo das gravadoras: 500 milhões de músicas para ouvir de graça
- Warner Music x You Tube. Quem perde é você.
- YouTube começa a remover o áudio de vídeos com músicas protegidas por direitos autorais
- YouTube retira MofoTV do ar após notificação da Sony BMG
O título desse post foi inspirado na obra de Gabriel Garcia Márquez, Crõnica de uma morte anunciada… espero que ele não me cobre direitos autorais por isso.









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