Talento e Fúria
A música surgu por meio da necessidade do homem produzir sons. Provavelmente em algum momento da história, um primata com cérebro pouco desenvolvido pegou o que seria um projeto de tacape e bateu no tronco de uma árvore oca. O impacto entre os dois fez um “TUM”, e ele pensou: “Opa! Acho que descobri algo mais interessante do que aquele peludo que fez fogo dia desses!”
O tempo passou, e o fogo, grande responsável pela evolução da civilização, hoje só é lembrado para acender um cigarro, acender uma vela ou esquentar a comida no fogão. Já o “tum” foi ganhando mais alguns “tumtuns”, somaram outros sons e barulhos, ordenaram isso de modo harmônico, e deram-lhe o nome de música. Se o primata tivesse sido esperto, teria criado logo em seguida o ECAD, e garantido sustento para todos os seus descendentes até hoje. Mas este é um outro assunto…
Então os homens decidiram transformar a musica em algo paupável. Criaram regras capazes de simular as diferents frequências sonoras, a forma de como marcar sua intensidade, seu ritimo, seu andamento e sua duração. Surgiram as notas musicais e a partitura. A partir daí, um ingrediente foi adicionado à receita musical: talento.
O talento é um dos fatores que torna a música um produto essencialmente humano. É como uma vocação: você, inevitavelmente, nasce para fazer aquilo. Tem gente que pode fazer anos de aulas de música a fio, e o máximo que vai conseguir é reproduzir códigos impressos no papel. E tem aqueles que possuem uma afinidade natural com a música, capazes de criar, modificar, se reiventar. Talento é o dom que faz um cara compôr uma música para uma orquestra inteira, pensando na harmonia de todos os instrumentos, mesmo surdo. E faz com que essa música seja imortal:
Brincadeirinha. Se você não gostou, pode clicar aqui e ouvir a original
Agora, vamos imaginar que o cenário musical possa ser representado por uma pirâmide. Na base, temos o primata que ainda bate com o tacape no tronco, fazendo TUM (e que mesmo após milênios de evolução, tem gente que ainda faz isso e acha bonito). Pouco mais acima, músicos sem talento e sem sucesso, músicos sem talento e COM sucesso. Quase no topo, os verdadeiros talentos musicais. Eu digo quase, pois falta ainda um fator. O fator que transforma os talentosos em deuses: a fúria.
A fúria possui muitos significados, e muitas interpretações. Musicalmente falando, é como se uma bomba nuclear explodisse sentimentos diversos, provocando diferentes reações. A fúria mexe com a sua alma, com seus brios, com a sua mente, com tudo. É o que é capaz de transforma uma obra de arte…
… num momento místico que entrou para a história e influenciou milhões de pessoas pelo mundo afora.
Talento e fúria, felizmente, não se ensinam em escolas. Não existe uma fórmula pronta para explicar como essas coisas acontecem. Mas elas acontecem, e não só na música. Na literatura, no cinema, na televisão, no jornalismo, no direito, e em tantas áreas sempre vão existir pessoas com talento e fúria para esbanjar. São aquelas pessoas únicas, capazes de inspirar os demais a sua volta, não a serem iguais a eles, mas sim a criarem, a serem diferentes, a transbordarem, a explodirem.
Talento e fúria, dois artigos em falta no dia de hoje, mas que não nos decepcionam quando aparecem.
Concerto Elvis Lives em 2002 – A banda que tocava com ele no palco ao vivo, com o rei no telão, e milhares de fãs na platéia. Talento e fúria mesmo depois de ter “voltado para casa”.
P.S.: Elvis é tão bom, que ninguém tirou os vídeos dele do Youtube ainda.
Piero Barcellos é colunista convidado superespecial. Além de ser editor do Blog do Piero escreve na Void. O post acima é de responsabilidade do autor e não reflete a opinião da autora do blog, muito embora ela concorde com quase tudo que ele escreva porque ele sempre tem razão.











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