Abençoado por Deus e comovente por natureza: Wilson Simonal, Ninguém sabe o duro que dei

fotos: reprodução. Arte: Cler Oliveira
“Certa ocasião eu estava conversando com o meu anjo da guarda e ele disse: ou você vai ser alguém na vida ou vai morrer crioulo mesmo..”
(Wilson Simonal)
A Liliane Ferrari veio com a dica: O Brasil, pelas mãos dos diretores Cláúdio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal, irá – finalmente - render uma justa homenagem a um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira: Wilson Simonal (1939-2000), por meio do documentário Ninguém sabe o duro que eu dei.
Embora conheça parte da história que o torna em um dos maiores nomes da MPB, coloco-o em pedastal, diferente do que prega o jornalismo, baseada em argumentos passionais que vieram à tona quando vi o vídeo promocional da obra que tem sua estréia marcada para maio.
Eu, Cler, do auge dos meus 33 anos, ainda lembro de meu pai, pastor evangélico, um negrão gaiato e faceiro que morreu aos 37 anos, imitando Wilson Simonal pela casa.
- Meu limão, meu limoeiro… vai dizer que não pareço o Wilson Simonal, hein, neguinha?
- Wilson.. quem, pai?
- Simonal, Clairinês… Tu não conhece o Wilson Simonal?
- Eu não.
- Deixa que quando ele aparecer na TV eu te mostro…
Mas ele não aparecia. Demorou muito para ele aparecer. Muito mesmo. Mas um dia ele passou em um programa de flash back. SBT, Globo…não lembro. E lá estava aquele negão no palco. Malandro e faceiro. Cantava como poucos e era invejado como muitos. A tela preto e branco e só aquele cara swingando diante de milhares de pessoas enloquecidas.
- Tu tem o nariz do Simonal.
- Eu não, pai.
- Tem sim. Nariz chato. De fusquinha.
- Nhé!
- Quando tu me encher o saco te chamo de nariz de Simonal.
Ele deve ter chamado umas duas vezes. Mas eu não me importei. Sabe por que? Embora tivesse um nariz feio, de alguma forma sabia que o cara era importante. E legal. E todos gostavam dele. O que importa o tamanho do nariz?
Quase 25 anos depois descubro, já no trailer do documentário o motivo de eu e meu pai pouco ouvir falar de Wilson Simonal por quase 20 anos. Meu pai talvez soubesse. Só não explicou porque sabia que eu não entenderia. Talvez não desse nem bola. DOPS, ditadura, sequestro, regime militar não fazem parte do mundo infantil.
Mas agora, finalmente irei me juntar a essa homenagem como telespectadora de um documentário que conta com a participação de grandes nomes como Ziraldo, Pelé, Chico Anysio, Miele, Toni Tornado e muitos outros, incluindo os filhos Max de Castro e Wilson Simoninha. Quem já viu, se emocionou. Quem não viu… bom, guenta mais um pouco para reverenciar esse cara que contrariou o seu anjo da guarda e foi ser alguém na vida (ao invés de morrer crioulo).
Falando nisso…
Pai, essa é pra ti… da sua ‘nariz de fusquinha’ que ainda sente saudades.










Pingback: [Infográfico] De que maneira a música favorita de seu pai indica o que você ouve hoje? | Hit Na Rede
Pingback: #FollowFriday: vencedores do VMB 2009 | Hit Na Rede
Pingback: Parabéns ao mestre do swing brazuca: Tony Tornado | Hit Na Rede