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Conspirações, inspirações e pirações que, por durante 15 anos, acompanharam a lenda Cobain

5 April 2009 24 comentáriospor Cler Oliveira
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“…Nós podemos julgar o ato ou dizer que custou bastante dor por parte de muita gente, mas negá-lo, criá-lo como uma vítima de sua própria morte…. isso tira a sua humanidade”
(Charles R. Cross, biógrafo de Kurt)

Há quem não goste de Nirvana. Respeito. Mas mesmo que eu não fosse fã desde 1992, seria uma ignorante completa caso não recohecesse a importãncia de Kurt Cobain e do Nirvana para as principais bandas e o rock feito nos anos 90/ 2000. Kurt Cobain era um cara que não sabia cantar direito, às vezes parecia uma criança de 6 anos, porém era um gênio.

Hoje, 5 de abril de 2009 é dia de lembrar a morte de um dos caras que sempre foi para mim “o cara”.Há 15 anos, soube de dua morte, acredito que no dia 6 ou 7 de abril, por meio de um programa de TV regional, chamado Tele Ritmo que, por 25 minutos, passava clipes e dava notícias musicais. Numa época em que internet era artigo de luxo, o programa fez história.

Nesse meio tempo, a lenda vendeu muito mais revistas e jornais do que a história que temos como verdadeira. Afinal, quem se interessaria por detalhes de um suícidio igual a tantos que mataram tanta gente genial? Nunca o critiquei. Se foi suícidio, Kurt tinha suas razões e optou não mais sofrer por elas. Se foi assassinato… bem… daí a coisa muda de figura.

Na real muitos não querem acreditar que alguém que tenha tudo possa ter nada que justifique a sua existência e, por esse motivo, criam teorias. Evidências que vendem jornais e revistas muito mais para se conformar do que para respeitar a decisão do outro. Com Kurt não seria diferente.

“Eu acho que a polícia de Seattle fez bobagem. Kurt foi assassinado”

Leland Cobain em 2008, aos 83 anos.

Esta quase-acusação veio de um homem que atende por Leland Cobain, avó de Kurt, em entrevista ao Calgary Sun, em 2004. Para ele, Kurt foi assassinado. Muito embora o simpático velhinho que adora dar entrevistas não direcione essas acusações para lado nenhum, algumas ‘evidências’ para ele levam a crêr que havia mais alguém na cena:

  • O fato da arma estar sobre o peito de Cobain. Segundo Leland, com a violência do tiro, ele deveria ter sido arremessado longe.
  • Kurt, da última vez que foi visto pelo avô, estava bem. Leland nem sabia que Cobain estava envolvido com drogas. Para ele, esse envolvimento não passava de jogada publicitária. Bom, pelo menos era isso que a mãe de Kurt dizia quando algum jornal lançava a fumaça no ar.
  • Courtney poderia estar envolvida pois, de acordo com o contrato nupcial, em caso de separação, coisa que Kurt já estava pensando, Love voltaria a ter as mesmas coisas que tinha antes do casamento.

Mas, o biógrafo Charles R. Cross, autor de Mais pesado que o céu e do recente Cobain Unseen, contesta a afirmação de que Cobain estava numa boa.

“A coisa que precisa ser dita é que Cobain estava tão afundado nas drogas naquele momento que ele estava se divorciando de tudo em sua vida. Ele ia se divorciar de Courtney, ele ia desfazer o Nirvana e ele ia demitir todo mundo que administrava seus negócios – ele ia fazer todas essas coisas em determinados pontos. E ele também ia se matar” (Portal Nirvana)

Leland, o velhinho detetive não se dá por vencido e diz que Cross está de “esquema” e que o primeiro livro foi escrito para aliviar a possível culpa de Courtney no assassassinato. Diante disso, Cross responde: “porque eu não a chamo de assassina, esses retardados sugerem de alguma maneira que eu sou parte de uma conspiração e que sou um enaltecedor dela”.

Suicídio ou Assassinato? Justiça para Kurt

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O site Justice for Kurt é conhecido por ir na vibe dessa conspiração. Lá são reunidos, desde 2001, centenas de materiais que circulam no rádio, na tv, na internet, livros e tudo que ajude a esclarecer o que de fato aconteceu ou, pelo menos, reabrir as investigações. As razões para essa cruzada virtual vem de evidências que envolvem desde o laudo médico (como a altíssima dose de heroína encontrada no corpo de Cobain), como evidências da investigação policial. Uma teia com diversos personagens e que, se for se aprofundar, pode ser tão interessante quanto um livro de Agatha Christie.

Falando nisso…

E a filha de Kurt?

Quando Kurt morreu, Frances Bean era – com o perdão do trocadilho – um grão de feijão. Pequena, aos três anos de idade, seu futuro parecia incerto diante da aparente falta de responsabilidade de Courtney Love (que provou que não consegue nem dar conta de uma mochila em forma de ursinho onde guardava as cinzas de Cobain). Mas, como quem é bom já nasce feito, a menina cresceu e depois de, dar as caras em editorais de revistas, mostrou que é dona da sua própria piração. Ano passado, sua festinha de aniversário de 16 anos tinha como tema Suícidio. Preciso dizer mais alguma coisa? Fofys, não?

Nirvana…e quanto aos outros?

Depois da morte de Kurt, o Nirvana moreu também. Os integrantes Dave Grohl e Krist Novoselic tiveram a dignidade de fechar as portas do grupo grunge e tomar seu próprio rumo, ao contrário de muitas bandas por ai. Grohl, como todos sabem, fundou o Foo Fighters, uma das melhores bandas de rock da atualidade. O cara se mostrou um grande artista e consegue, sem muito esforço, levar sua bem sucedida carreira longe da sombra do Nirvana e de Kurt Cobain.

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Novoselic fundou e saiu de várias bandas. Casado, é piloto licenciado pela FAA e possui o seu próprio aviãozinho. Além disso é um ativista politico do Ppartido Democrata. Para parar com a amolação, no site feito por um fã há até um FAQ, caso queira saber mais a respeito do estranho ex-integrante.

Nirvana – Acústico MTV

“Queremos mostrar o nosso lado suave como papel higiênico perfumado”
(Krist Novoselic)

Na minha opinião, foi o que nos anos 90 marcou a história do Acústico MTV. O mundo, acustumado aos literais barulhos, conheceu, no dia 18 de novembro de 1993, um Nirvana e um Kurt Cobain praticamente indefesos. A minha maior frustação é, por razões desconhecidas, nunca ter comprado esse álbum, sendo que é o meu favorito depois do estranho Incesticide e do pop Nevermind.

No Youtube é possível encontrar, graças a boa vontade da galera Nirvana Brasil, um documentário fabuloso sobre esta apresentaação e totalmente legendado. É fã do Nirvana? ASSISTE!

Parte 1 – 7 minutos

Parte 2 – 7 minutos

“Há algo nesta gravação quando você a escuta de novo. Há um tom assustador. Foi como o seu adeus final”… “ele queria mais velas. ‘como um enterro?’ ‘Yeah, como um enterro seria legal…’”

O que de melhor eu vi sobre Kurt

Na blogosfera e em alguns sites sobre os 15 anos da morte de Kurt Cobain (update aleatório)

  • Foi melhor queimar de uma do que apagar aos poucos? No Lixeira do Pop (sempre eles) um ótimo texto que traz justamente a reflexão da transição de loser a mito do rock pela qual Kurt Cobain passou, levando em conta a sua adolescência problemática até a repercussão de sua música após o seu desaparecimento. Vale muito a pena dedicar uns cinco minutos à leitura.
  • Kurt Cobain – entrevista inédita – MTV – Dezesseis anos depois a MTV resolveu abrir o baú e colocar trechos inéditos da entrevista que, acredito eu, seja a mesma citada por Zeca Camargo no livro De A-ha a U2. Eu sou suspeita pra falar pois, apesar da inúmeras críticas, gosto muito do Zeca. Já fui chamada de rídicula por coleguinhas da futura profissão por isso. Não me importa. O negócio é que o cara é o cara. Voltando ao Cobain, uma entrevistsa que consegue captar parte do contexto do que foi a vinda do Nirvana ao Brasil em 1993. Curto e Fantástíco.

Update – 6/4/2009
Letras de música (2) – por Zeca Camargo. Já que falei nele no tópico acima, nada mais justo do que ter um post do cara por aqui. Já comprei muita briga para justificar, do meu ponto de vista, porque Zeca Camargo é um dos meus jornalistas musicais, culturais e batatinhas preferidos. Este post, entra, com louvor, na minha lista de argumentos. O cara consegue, a partir da experiência que teve ao ler o livro As melhores entrevistas da Rolling Stone, mais precisamente, de ler a entrevista feita com Kurt Cobain, fazer uma justa homenagem ao vocalista.

À maneira dele.

Como (futura) colega de profissão, admiro cada vez que o Zeca expõe neuras e fragilidades que, sem exceção, atingem TODOS os jornalistas. Admitiu ter sido tomado, além da admiração por Cobain, por uma curiosidade mórbida profissional.

“De fato, Kurt contou ali coisas que não havia falado para mim – por exemplo, que ele era grande fã dos Beatles (na nossa conversa discutimos Mutantes!); e que sua dor de estômago já tinha despertado nele a vontade de se matar (nós só falamos da dor de estômago). Mas, tentando me consolar, digo a mim mesmo que nenhuma entrevista é universal. Nenhuma conversa é capaz de conter todos os assuntos – nem mesmo as da “Rolling Stone”. O que não as torna, claro, menos interessantes…”

E, por aí segue com um texto primoroso que junta homenagem a Cobain, uma crítica à tradução da obra e, de quebra, dá, sutilmente, uma pequena aula de jornalismo. Brigo, bato pé, insisto e recomendo: Zeca Camargo é o cara. Às vezes é pedante, enrolão e dono de comentários desnecessários, mas mesmo assim, O CARA.

E, já que estamos falando disso... leia também:

24 comentários »

  • Victor Afonso disse:

    É bem verdade!

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  • Rodrigo Bap disse:

    Essa entrevista é sensacional. Muito legal colocar “e quanto os outros…?”. Dave conseguiu realmente sair da sombra de Kurt e mostrar que é um ótimo compositor, oq no período do nirvana foi bastante ocultado. Krist, por outro lado, bem que tentou, mas nada de relevante conseguiu musicalmente falando; no entanto, sua carreira política é bastante válida. A Frances, não sei oq dizer, deve ser um peso ser filha de um cara que todo mundo sabe ter se suicidado. Barra.

    bjos!

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  • Macol Presley disse:

    Eu vou falar bem a verdade: não conheço quase nada sobre o Kurt oyu sobre o Nirvana em si.

    Mas curto as músicas um monte e sei que o Kurt é uma das maiores perdas da história da música. E morreu no ano que nasci. Triste, faz muita falta!!

    Rest in peace, Kurt. ^^

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  • Clóvis Teixera disse:

    “O fato da arma estar sobre o peito de Cobain. Segundo Leland, com a violência do tiro, ele deveria ter sido arremessado longe.”

    Já fizeram testes em “Os Caçadores de Mitos” e as pessoas não são jogadas longes em caso de tiros, mesmo com armas de alto calibre.

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  • Rafa disse:

    É bem provável que apareça alguém aqui me xingando, ou me chamando de ignorante. Mas, sinceramente falando, a melhor contribuição deste rapaz para amúsica foi mesmo o suicídio.
    Numa só tacada, ele deu fim ao Nirvana, que não passava de uma ode ao barulho sem sentido, encerrou sua própria carreira, e alavancou o sucesso de Dave Grohl, que era, sem sombra de dúvidas, a única criatura com talento naquele juntamento de adolescentes desafinados e sem ritmo.

    Bem…agora só me resta aguardar as ofensas….

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    Cler Oliveira Reply:

    Rafa, embora não concorde contigo, tenho que admitir que tens bons argumentos. Ontem diversas pessoas me disseram – inclusive pessoas ligadas ao jornalismo cultural – que não conseguem atribuir à Cobain o status de Mito. Um dos maiores blogueiros do país, na tarde de ontem, mandou bem ao descrever que o mito Cobain foi criado a partir de um contexto social vivido nos anos 90. Embora seja um grande admite que, a lenda Cobain, depende do contexto social para existir.

    Para mim, o mito se torna, além do contexto social e musical, muito em cima da historia do próprio pessoal do próprio Cobain (vide link para o ótimo texto do blog Lixeira do Pop). Não tem como dessasociar. Eu mesma, aos 33 anos, já escrevi diversos textos sobre ele e, cada vez que me deparo com a oportunidade de repetir essa tarefa, com o distanciamento ainda maior do fato, consigo entender mais ainda o que acontecia naquela momento.

    Enfim. Gosto quando pessaoas de diversas opiniões sobre o mesmo tema se reúnem por aqui. Abrem discussão bastante interessantes.

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    Marco Reply:

    Apesar do Nirvana estar na minha lista de bandas favoritas, me junto aos que não conseguem dar status de mito ao Cobain.
    Gostaria muito de ler o texto que você citou porque o Nirvana apareceu num momento bem marcante da minha vida. Um momento que, pela primeira vez, estava “sozinho” no mundo e do outro lado do mundo, e a música foi uma grande companheira.
    É Cler, fiquei no Japão por um longo tempo. Mas, agora estou de volta.
    Adorei o artigo. Um beijo.

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    Cler Oliveira Reply:

    O texto citado é o de uma série especial: As melhores entrevistas da Rolling Stone que, se eu não estiver falando bobagem, está na edição especial brasileira – para colecionadores – da Rolling Stone de abril. São duas capas diferentes. Eu comprei a de colecionador PB. Ainda nem tive tempo de ler pois é enorme.. acho que são umas 15 páginas.

    Mas que bom que estás de volta. Boa readaptação!!! Welcome back. :)

    Beijos pra ti e pra família linda!

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  • Thiago Balardi disse:

    A droga usada na data da morte era heroína e nao cocaína como citado no texto.
    Abraço

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    Cler Oliveira Reply:

    Falha minha. Fail Total.
    Devidamente corrigido. Valeu!

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  • Marcos disse:

    a melhor matéria q já li…

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  • alex disse:

    Cara drogado que nem o Marcelo D2 e Charlie Brown Jr. tem que morrer, eles promovem essa ECA desse mundo!

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    Cler Oliveira Reply:

    Saber separar a arte ou o legado de qualquer pessoa – seja ela drogada ou não – é uma arte. Acredite.

    O que vejo aqui é um preconceito puro e simples. Conheço muita gente não-drogada que promovem mais merda no mundo do que todos os usuáros de droga no mundo JUNTOS. É de se pensar, não?

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  • Srta. Bia disse:

    Belo post, Cler. um dos melhores e mais completos que já li. Parabéns pelo trabalho!

    E tens toda razão. Posso não gostar de nirvana, mas é impossível negar a importância que a banda tem para o cenário da música mundial, até mesmo para os videoclipes. Bom ver que os remanescentes não continuaram, preferiram outros projetos. E melhor ainda ver que a filha de Kurt cresceu e parece estar bem, apesar da mãe continuar por aí.

    Tenho por mim que as drogas, a depressão e a relação Sid & Nancy que tinha com Courtney eram motivos para um possível suicídio. uma pena que alguém tão brilhante para música tenha caído na vala comum dos super pop stars.

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