Internet x Direitos Autorais. Com a palavra Paulo James, batera do Acústicos & Valvulados
Foto: Pauline Costa
Internet x Direitos Autorais. Este é um assunto que me fascina, principalmente quando o lance todo envolve música. Depois da guerra travada pelo Youtube em nome da defesa (exagerada) dos direitos das gravadoras (que parecem nunca ter ouvido em Creative Commons), esse interesse aumentou consideravelmente.
Tanto que, para a disciplina de Estágio Multimeios do curso de Jornalismo, sugeri que o nosso blog abordasse esse tema. Como segundo post, tivemos a sorte (e a honra) de termos como entrevistado o baterista da banda gaúcha Acústicos & Válvulados, Paulo James, 37 anos, figuraça do rock grande do Sul. A entrevista, concedida à Pauline Costa ficou tão legal, mas tão legal que eu disse: galera, vou ter que postar (devidamente autorizada e creditada) no Hit na Rede. E o resultado vocês conferem agora. Com a palavra: Paulo James.
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Música x Direitos Autorais – Como você vê o compartilhamento de músicas for free na internet: divulgação de trabalho, desrespeito à obra ou tendência de mercado?
Paulo James – Tem de tudo um pouco [risos]. Mas, mais do que isso, é a tecnologia disponível e a vontade/comportamento do público que criam essa situação. Sempre houve troca de música – desde os tempos do vinil, da fita K7, etc. O que rola agora é uma facilidade enorme de comunicação, de transferência de dados, o que acelerou e aumentou pra caralho esse processo de troca.
A liberdade do público tem que ser preservada, porque é positiva. Mas acho que onde rola lucro com a música, esse lucro deve ser repartido com quem detem os direitos autorais e artísticos.
Enfim, não se deve cobrar do público, mas sim dividir o faturamento publicitário.
MxDA – Como você classificaria o trabalho do Ecade (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição)? Sendo o único órgão responsável a atribuir os devidos valores aos direitos autorais ele cumpre a contento o seu papel?
PJ – Olha, comigo sempre funcionou, pelo menos dentro desse modelo que tá aí. Claro que falta muita coisa, mas o Ecad não é o único culpado. Falta conscientização dos contratantes de música ao vivo, e da mídia em geral, pra pagar os direitos. Por exemplo: de 10 shows, dois são efetivamente pagos. E tem muito veículo de mídia que lucra legal usando a música como carro-chefe da programação mas não paga os direitos dos autores dessa música.
Falta informação pros músicos e compositores, que não sabem como buscar seus direitos autorais e conexões, etc.
Quanto à questão da “atribuição de valores”, sempre é uma porcentagem da arrecadação que um contratante de show, promotor de festa, veículo de mídia, comércio, serviço tem ao utilizar a música pra faturar. Pra mim é isso mesmo que deve acontecer, não vejo outra maneira.
MxDA – O Youtube, desde o ano passado, travou uma guerra contra os usuários a fim de garantir as medidas impostas pelas gravadoras na proteção dos direitos autorais. Entre as principais estão a medida que ‘cala’ vídeos feitos por internautas que utiliza músicas protegidas e a retirada de videos em perfis não oficiais ao mesmo tempo em que muitos não permitem a incorporação de videos em sites, blogs e páginas pessoais. O que você acha disso? É possível que o compositor receba pelo número de execução no Youtube ou outros agregadores de videos?
PJ – Bom, eu gostaria de receber [risos]. Acho que o YouTube (e outros) podem pagar os autores/gravadoras/artistas com parte da grana que ganha da publicidade. E é bastante grana que eles faturam com publicidade! Enfim, se a música está sendo usada pro cara lucrar, não vejo motivo pra não dividir esses pilas. Já retirar vídeos do ar é bobagem, é um faz-de-conta. O YouTube só “cumpre a lei” pra não comprar briga com a justiça, sabendo que logo em seguida outra pessoa vai lá e posta outro vídeo, num ciclo sem fim. É como fechar o Napster, que saiu de cena só pra dar lugar a outros mecanismos parecidos.
A real é que não tem cabimento querer travar a expressão das pessoas, que usam a tecnologia e sempre serão criativas ao usar essa tecnologia, inventando novas formas de uso, novos programas, novas comunidades, etc.
Se o YouTube vai cobrar pelo serviço, sei lá. Muita gente pode pagar, mas outra penca de pessoas vai migrar pro próximo serviço gratuito, que certamente ganhará público. E assim por diante. Mais fácil seria eles abrirem a mão mesmo, dividir com os artistas, ao invés de embolsar todo o lucro publicitário.
Leia o restante da entrevista no blog Música x Direitos. O cara além de garantir uma boa nota ao grupo, de quebra, ganhou minha simpatia eterna.








