“Tu traiu o movimento, véio…”

Dado Dolabella, apesar de todas as asneiras que fez e continua fazendo, merecia ser reconhecido por ter imortalizado a expressão “tu traiu o movimento, velho”, ao se deparar com João Gordo em uma entrevista para MTV que, reza a lenda, nunca foi ao ar.
Imortalizado porque, apenas essa expressão consegue explicar as mudanças radicais nos estilos de alguns bons artistas. Sabe aquela música que você ouve e não consegue entender qual é a relação que tem com o nome do artista na capa do álbum? Pois é…
De Falla
Passado 25 anos da criação da banda, juro que ainda encontro dificuldes para achar uma definição que se enquadre nela. Segundo o Wikipédia, De Falla é uma banda brasileira de rock and roll formada em Porto Alegre, RS. A pergunta é: onde foi parar o Rock n’ Roll?? A gaúcha De Falla, liderada pelo ecêntrico Edu K, era uma das maiores promessas do Rock Brasil, no final dos anos 80, início dos anos 90. Tanto que foi uma das atrações do Hollywood Rock 93, o mesmo que trouxe Nirvana, L7 e Red Hot Chilli Peppers. Alías, o som tinha uma pegada Anthony Kids pois misturava, com maestria rock n’ roll e uma batida hip hop, ambas na dose certa.
É só olhar e ver: De Falla e um cover heavy pop de Satisfaction
Mas porém, um belo dia, Edu K. deve ter percebido que o que o povo queria mesmo era pão e circo. Como não era padeiro, a palhaçada ficou por conta de um hit chamado Popozuda Rock n’ roll, que, sem muito esforço, entrou no top dos tops de execução.
Só pelo título atribuído no youtube, já é motivo pra correr 15 dias sem olhar para traz:
“De Falla e a popozuda rock and roll e a morenaça Renata no chuveiro do sabadão do gugu”
Toda traição tem uma explicação…
“Popozuda é completamente AC/DC, se você tirar a batida. E é legal porque hoje a tocamos desse jeito, então talvez agora as pessoas possam entender porque o Miami era um disco de rock”. (Edu K)
A última notícia que tive dos caras é que entraram numa vibe de boy-band-emotional-hardcore-melódico-ruim-pra-caramba e emplacaram um hit chamado Amanda...éééca.
Paulo Ricardo
Esse traiu o movimento com estilo.
De rockstar dos anos 80, nos 90, já trintão, decidiu encarar o lado romântico da força. Se deu bem. Foi tema de abertura das novelas A Usupadora e Peróla Negra, novelas do SBT, vendeu algumss cópias a mais para as mães das fãs, que já eram mães também, e entrou em rádios que, durante os anos 80 não podia nem passar na frente.
Bonitão, ainda faz um olhar 43 e vez que outra tenta reatar seus laços com o Rock Brasil. Em 2008, comemorou os 25 anos do RPM lançando uma caixinha com os maiores sucessos da banda. Embora, muitas das movimentações dele tenham sido uó, eu ainda o respeito porque ele é o cara.
Como toda a traição tem uma explicação…
“O rock propõe uma manutenção eterna da juventude e isso é irreal. Ele fez parte da minha vida, mas passou”.(Paulo Ricardo)
U2
Eu sei que esse trechinho do post pode me trazer incomodações para o resto da vida. Como vida longa é c** é rola, não me importo. Isso porque sou fã da U2 desde que eu tinha 11 anos. Acompanhei toda aquela fase “rock revolucionário e inovador” dos anos 80 e depois o pop revolucionário dos anos 90. Tudo com muita qualidade. Nem preciso colocar um exemplo aqui…Até que… no meio do caminho tinha um álbum chamado POP. E, já nos primeiros segundos uma Discotheque…
U2 – Discotheque por Hakunamatata67
Como toda traição tem uma explicação…
Quase 10 anos depois, na biografia U2 By U2, o empresário Paul McGuiness revela: Pessoalmente eu não gostei do título do álbum. Eu não tinha certeza do quão irônico se podia ser no rock ´n` roll e eu suspeitava que não se podia ser tão irônico assim. Chamá-lo de Pop passou a mensagem errada. Ele não era um álbum pop, era um álbum moderno, mas o U2 ainda era uma banda de rock. (Fonte: Ultraviolet)
E realmente, o álbum não era aquele bate-estaca desgraçado que viamos na primeira faixa. Tinha faixas belíssimas como If God Send his angels, Staring at the sun. Tinha tudo para ser um grande álbum, mas vamos combinar que não se pode levar á sério uma banda que faz um clipe como aquele. Em tempo: em seguida, o U2 encontrou o caminho de volta pra casa lançando um dos melhores álbuns na minha opinião: All that you can’t leave behind.
Madonna
Musicalmente a diva não mudou muito, se levarmos em conta que ela segue tendências pop. e, quanto a isso, ta na média. O que aconteceu por ali é que, de deusa da bagaça sexy dos anos 80 e boa parte dos 90, virou uma carola, quase que mãe de família exemplar.
Claro que, de vez enquando, quer causar, apelando muito mais para a religiosidade do que para a força da vagabinha que, definitivamente, não está com ela. Foi se o tempo em que suas turnês era alvo de grande furor sexual..
Chris Cornell

Se tem alguém que soube trair o movimento como ninguém, esse é o champs Chris Cornell. Merecia um post a cada dia que resta para o lançamento de um álbum que substitua Scream (2009). A parceria com o “mago” Timbaland fez desaparecer toda a sensatez do grande artista que ele é (ou foi) e o transformou em um tum-tum-bati-ti-kum-dum que até hoje ninguém entende.
Cornell era o cara do Soundgarden, um dos ícones grunge dos anos 90. lançou, em 94, o álbum Superunknow, o qual tenho em casa, em vinilzão duplo, com muito orgulho.
Sabe-se Deus porque motivo (já que dizem que ainda são amigos) a banda termina em 1997. Em 99, Cornell lança seu álbum solo Euphoria Morning. Maravilhoso. Com belíssimas canções como Preaching to the end of the world e Can’t Change me (o clipe é uó, por isso coloco a apresentação no David Letterman mas a música é muito boa).
Já, no inicio do novo milênio, Cornell surge com ex-integrantes do Rage Against The Machine e forma uma das melhores bandas de todos os tempos: Audioslave. Com ela, dois três albuns. Por tretas internas, Cornell sai da banda e decide seguir carreira solo. Lança Carry On em 2007. Um álbum que está na linha do INXS, mas que, ainda assim, traz boas músicas.
Não sei o que aconteceu com ele, mas se achando o champs, decidiu chamar o amigo Timbaland para compor, produzir e simplesmente assassinar o álbum Scream. A faixa-título até que deu pra segurar. Boa. Mas o resto do álbum apresenta nuances como estes:
O clipe foi gravado em Porto Rico.. nada contra o lugar, mas se lembrar que os Menudos vieram de lá, dá um frio na espinha. Atenção para a cena de Cornell com uma cadeirinha no meio da put**ria. Não parece que ele vai sair balançando os cabelinhos e pegar um Cross Fox?
Como toda traição tem uma explicação…
“O que eu ouço das outras pessoas é que este álbum está dois anos a frente do seu tempo” (Cornell no Washington Post)
Por conta disso, o mundo inteiro sentiu vergonha alheia, sentimento que foi expressado no Twitter por Trent Reznor do Nine Inch Nails e que rendeu uma guerrilha entre o Cornell e o cara:
Segundo o próprio Chris, a resposta sem sal envolvendo Jesus e Judas não foi um ataque direto a Reznor, mas sim uma coincidência de timeline. Chris diz que nem ficou sabendo da história até ela tomar a proporção que tomou. Acredito nele. Em troca, espero um álbum de redenção.
Luis Miguel
Nos anos 80, o chico Luis Miguel era conhecido por se requebrar feito um Menudo na beira de uma praia cantando Quando calienta el sol. A música era ruim, o visual caribeño sem noção e todos sabiam que isso não iria durar muito. Embora, o escabelado rapaz já ensaiasse outros estilos…
Até que, um dia, bateu um vento norte que deitou o cabelinho do menino e, da noite para o dia ele se transformou num Roberto Carlos latino. Se deu bem. Ao que tudo indica, vende álbuns e consegue pagar suas contas honestamente, sem que para isso, precise bater de frente com o estilo do caliente Ricky Martin, já que esse está se mantendo firme e forte no estilo Uepa que o consagrou.












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