O Desafio de Substituir um fora de série – parte II: A maldição da guitarra do Guns and Roses
Por Wallace Souza
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Em 1994 Axl Rose resolve demitir Gilby Clark do Guns n’ Roses sem consultar ninguém. Slash, que havia convidado Clark para a banda, fica ressentido e acaba não se entrosando com o novo guitarrista-base Paul Tobias. Dois anos depois Slash junta seus trapos e abandona o Guns para tocar seu projeto “Slash’s Snake Pit” (se você não conhece, deveria. Muito bom!).
Pronto. Começava aí o maior problema de Axl: conseguir um guitarrista que ao menos tivesse as mesmas qualidades de Slash. Desde então ocorreu meio às escuras o maior troca-troca de guitarristas dos últimos anos em uma grande banda de rock. Enquanto gravava o-álbum-que-sai-ano-que-vem-sem-falta, a banda ia penando pra achar uma fórmula que desse certo. E esse grande problema se deve a vários fatores, mas podemos destacar dois:
1 – A banda já possuia um público em escala mundial, e uma carreira consolidada. Mexer numa fórmula certeira que, por consequência, agradava a milhões de fãs mundo afora era um risco muito grande. Os guitarristas substitutos teriam que se limitar a criar músicas que respeitassem o estilo já existente. E achar um guitarrista bom o bastante para aguentar o fardo mas que aceite compor dentro de um território muito bem delimitado é muito difícil.
2 – o fato de Slash ser… Slash. Isso é tão óbvio que chega a ser difícil de explicar. Quem estudou um mínimo de teoria musical sabe que Slash, ao contrário de grandes guitarristas, não era um erudito. Suas bases e solos eram formados por notas quase tão simples quanto a música punk. Ao contrário de grandes virtuosos, Slash era um grande improvisador, mas que tinha sobrando algo que já foi falado aqui: ele tinha a fúria. Aquela chama que difere um craque de um gênio (e concorde ou não, Slash foi um gênio).
Mas enfim, continuemos.
A primeira grande mudança na banda foi a abolição do conceito de guitarrista-base e guitarrista-solo. Todos os guitarristas que passaram tiveram suas chances de brilhar e ter atenção. Primeiro, o esquisitão recém-saído do Nine Inch Nails, Robin Finck, tenta dar uma cara mais moderna à banda.
Depois, o mais esquisitão ainda Buckethead adiciona todo o seu confuso virtuosismo ao som do grupo. O Guns and Roses com os dois guitarristas se apresentou no Brasil no Rock in Rio III, e chegou a empolgar o público, apresentando 5 músicas novas.
Lembra daquela apresentação solo de Finck em que ele canta “Sossego”, de Tim Maia? Pois é, apesar do sucesso que fez por aqui, o guitarrista não agradou muito ao público ao redor do mundo, e muito provavelmente por isso passou a usar um visual menos extravagante/andrógino e adotou um visual bem parecido com o de Slash. Um belo de um tiro no pé, claro! Em 2002 Paul Tobias deixa a banda e dá lugar à Richard Fortus, e um ano depois Buckethead também abandona o barco, alegando falta de interesse do Axl em lançamento de material e shows.
Atualmente a banda conta com Ron “Bumblefoot” Thal, Richard Fortus, e acaba de anunciar a entrada de DJ Ashba, que entrou no lugar de Robin Finck, que, vejam vocês, voltou ao Nine Inch Nails.
Dessa verdadeira novela vocês acham que ainda sai algo bom? Façam suas apostas, de preferência nos comentários












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