College Rock: A noite em que Porto Alegre reverenciou Esteban

Foto: Carol Basegio
Elton Freitas, 18, saiu da cidade de Pelotas de madrugada. Pegou duas caronas com desconhecidos e caminhou quilômetros ao chegar na cidade de Porto Alegre. Tudo para estar em frente ao John Bull, as seis da manhã, exatamente 12 horas antes das portas do pub abrirem para a terceira edição do College Rock. Das quatro atrações da noite, apenas uma, segundo ele, era o motivo de todo o seu sacrifício: Esteban, o alter ego do baixista da banda Fresno em seu projeto solo.

Da esquerda pra direita: Amanda, Elton, Patrícia e Fabrício (Foto Cler Oliveira)
Da esquina do pub, localizado no estacionamento do Shopping Total, uma hora antes dos shows, a fila que começava em Elton, da onde ele estava, parecia não ter fim. Bastava ficar alguns minutos ao lado dela para descobrir histórias tão malucas quanto a dele, de pessoas que fariam qualquer coisa para prestigiar o show do multi-instrumentista que, enquanto o público se preparava para enfrentar um dia inteiro de pé, perguntava inseguro no Twitter: será que bomba?
Se a imagem de um público apaixonado e disposto a qualquer coisa para vê-lo não fosse suficiente para responder a pergunta, cartazes na porta do local com a inscrição “ingressos esgotados” acabavam com a dúvida.

Foto: College Rock
Esteban era o último show da noite que contou com as apresentações das bandas Better Together, Lebra e Keepers, que lançaram o clipe O tempo passa. Porém, quando o músico subiu ao palco o local deixou de ser um pub para se transformar em um templo e Esteban já não era mais o que dava nome a um artista, mas sim, uma nova religião composta por um público emocionalmente comprometido que cantou todas as canções do set list com a devoção de quem presta homenagem a uma entidade.
“Vocês me fazem muito feliz”
(Esteban)
O show, diferentemente do que ocorreu em fevereiro no Hangar, em São Paulo, não contou com uma banda. Para acompanhá-lo, Esteban chamou o amigo e companheiro da banda que eventualmente se reúne há mais de sete anos, Kbça, da Abril, ao violão, enquanto se dividia entre o violão e o teclado.
No set list Mundo, Visita, Noite entre outras da Abril, época pré-Fresno, foram entoadas por todos com a mesma intensidade que Canal 12, Muda, Pianinho e outras composições que em 2010 compõem seu perfil no Myspace. A noite foi permeada por muitas surpresas que tornaram a apresentação em Porto Alegre, terra adotada pelo gaúcho de Camaquã, em um momento histórico da sua carreira. Além de covers de Engenheiros do Hawaii, da indie The Format e de um de seus ídolos portenhos, Fito Paez, Esteban contou com a participação de Thedy Correa, a voz de uma das maiores forças do rock Gaúcho, e do músico João Vicente, ambos da Nenhum de Nós.
No palco, diante do ídolo, Esteban relembrou quando, muitos anos antes daquela noite, juntamente com as amigas Gabi e Carol, que prestigiavam a noite, assistiram um show da banda de Thedy na Redenção, em Porto Alegre e da alegria de estar realizando o sonho de ver uma música sua cantada pelo ídolo. Sonho revelado em uma entrevista a este blog:
“Quando eu terminei ela [Sophia] eu pensei ‘cara, não preciso fazer mais nada’. Numa ‘pira’ minha, apesar de parecer muita pretensão, já imaginei o Thedy (Corrêa, do Nenhum de Nós ), tocando Sophia”. Esteban.
(Leia parte da entrevista aqui)
De maneira emocionante, o que era para ser um dueto se transformou na performance de um imenso e apaixonado coral nas músicas Das coisas que eu entendo (um dos momentos mais emocionantes que eu já presenciei em shows e que entra com louvor no meu Top 10), Você vai lembrar de mim, ambas do Nenhum de Nós, e Sophia.

Foto: Carol Basegio
Esteban + Thedy + João Vicente - Das coisas que eu entendo. “O Esteban disse que poderíamos tocar qualquer música, mas que essa, Das coisas que eu entendo, erámos obrigados a tocar juntos. Ele fez muita questão” (Thedy Correa, no camarim)
Thedy se perdeu em diversos momentos na letra de Sophia, canção composta pelo amigo Esteban, mas isso serviu como um pretexto para que a platéia, solidariamente, tornasse aquele momento em algo inesquecível na carreira de ambos. O mesmo público que prestou sacrifício para estar ali naquela noite. O mesmo público que cantou todo o set list do inicio ao fim. O público que ignorou o calor infernal que fazia no interior do pub e só arredou pé quando, emocionado, Esteban agradeceu a todos que fizeram daquela uma das noites mais importantes dos seus 27 anos de vida. E, bem provável, da vida inteira de sucessos que ainda tem pela frente.
Algumas fotos de bastidores no Tumbrl do Hit na Rede
Falando nisso…
Das coisas que ele entende…
Por Gabriela PeruffoQuando faltam palavras é porque a coisa é séria. Ou foi demasiada emoção ou decepção. Chamar de apresentação, show ou espetáculo aquilo que presenciamos dia 10 de março em Porto Alegre seria desmerecê-lo, eu chamaria de ritual. Ritual de passagens, no sentido de transportar-se de um sentimento a outro em frações de segundos, cada um mais extasiante que o outro. Ir do choro ao riso facilmente.
Os espanhóis diriam “flipamos com El concierto”, flipamos nós portoalegrenses com o show do Esteban.
Rituais não têm barreiras de idade, de gosto. Ninguém tem vergonha de emocionar-se em um ritual, por isso ele é maior que outros eventos. Os presentes, regalaram plenamente seus aplausos, gritos e ovacionaram cada música, cada acorde de maneira impecável. Nosso anfitrião, Esteban, não deixou por menos e fez jus a um John Bull de ingressos esgotados onde não se via nem sinal de um meio-fã. Lá todos eram assíduos.
SatisFASHION
E a galera estava toda trabalhada no visual para prestigiar o College Rock.
Alguns looks.




Fotos: Cler Oliveira









