Existem álbuns e existe Nevermind: os 20 anos do registro mais importante da década de 90

De todos os álbuns que completam 20 anos este ano (e, acredite, a lista é imensa), Nevermind é o mais comemorado, lembrado e agraciado com grandes manifestações sejam elas comerciais, de fãs, da imprensa ou da comunidade musical. Afinal não estamos falando de um álbum que colocou, pela porta da frente, uma grande banda no circuito, como foi o álbum de estréia do Pearl Jam. Ou de um álbum genialmente experimental de uma banda que já tinha conhecido o estrelato, como foi o Achtung Baby, do U2. Estamos falando do álbum mais importante da década de 90. Aquele que influenciou toda uma geração de adolescentes e músicos. Que foi a glória e o inicio do fim de um de seus criadores: Kurt Cobain. Que mudou tudo o que conhecíamos a partir do seu lançamento.

Falar de Nevermind é uma tarefa difícil já que, embora o sucesso tenha sido estrondoso, pode-se dizer que Kurt Cobain morreu desconhecendo o alcance de sua obra. Por mais otimista que ele fosse em relação a sua carreira (e houve um tempo em que ele foi. E muito) nunca imaginaria que aquele álbum, 20 anos depois, seria, dentre outras coisas, tema exclusivo de uma exposição inteira (veja no final do post).
A apresentação lendária no Hollywood Rock ’93. Smells like teen spirit com a participação nada convencional e um pouco desafinada de Flea, do Red Hot Chili Peppers. Tenho orgulho de ter visto isso na época.
Eu poderia encher de blá blá blá técnico para tentar definir o que levou Nevermind, e consequentemente o Nirvana, ao topo do mundo mas estaria subestimando o grande trunfo do álbum que foi, com toda certeza, a capacidade de Cobain de transformar suas dores, fossem elas físicas ou psíquicas, em letra e música fazendo com que assim, milhões de pessoas no mundo inteiro, se identificasse com elas. Ele recorria aos mesmos recursos de bandas como Joy Division sem ser absurdamente depressivo. Trazia a sinceridade do R.E.M. sem levar o titulo de rock alternativo. Fez o básico de maneira diferente e transformou isso em essencial.

O clima intenso e festeiro era na verdade uma maneira de Cobain esconder seus versos fortes e proféticos sobre os planos que há muito tinha para seu o futuro: acabar com ele assim que tivesse uma chance. Porém para alguns criticos, na época, não tiveram a sensibilidade de entender que aquilo ia muito além da birra adolescente.

A maior prova disso é que a edição americana da Rolling Stone, ao fazer o review do álbum, cometeu um erro imensurável e que mostrou a limitação da visão dos críticos que ditam o que se deve ou não ouvir. Nevermind foi uma criança teimosa e mesmo a maior publicação de música do mundo dizendo que o álbum era um teste de “tolerância geral à música alternativa”, ele foi salvo por 10 milhões de pessoas que o compraram e, de imediato, reconheceram em Kurt a voz de uma geração carente do que a RS chamou, pejorativamente de “ guerreiros mambembes da Terra das Garagens”.
Vale lembrar que, 15 anos depois, a Rolling Stone publicou o livro Cobain pelos editores da Rolling Stone e nele tentou corrigir com uma retratação, no mínimo constrangedora.

A fita K7 de Nevermind, comprada há (quase) 20 anos. Uma das lembranças que guardo com muito carinho…
Já escrevi tanto e tantas vezes sobre ele que é sempre difícil acrescentar mais do que já foi dito. É um álbum com o qual me sinto mais emocionalmente envolvida. A máquina de hits chamada Nevermind foi sobreviveu ao comportamento suicida e ao próprio suicídio de Kurt. Às novas tendências do rock, à moda, à ascensão e queda da indústria fonográfica. E daqui há 20 anos ainda estaremos elencando os itens que compõem a força e a vitalidade de Nevermind.
#Nevermind20 – A exposição
Em Londres ocorre, até amanhã, dia 25, a exposição In Bloom: The Nirvana Nevermind exhibition que reúne diversos itens raros e curiosos que ajudaram a construir a história do Nevermind.

As fotos foram cedidas por uma londrina muito simpática chamada Fiona Verran. Para ver mais, é só clicar no Twitpic dela.
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