[#Nevermind20] Cobain Unseen, o livro: Nada do que for dito descreve o que se tem em mãos
Quando falei do livro Cobain Unseen aqui no blog, lá em 2008, logo que ele foi lançado, fiz dele um sonho de consumo. Embora nunca o tivesse pego em mãos sabia que seria um material de uma riqueza inestimável para colecionador. Passou-se três anos até que eu finalmente consegui comprar a edição importada em uma loja nacional por um preço incrivelmente justo e com uma entrega surpreendentemente rápida. E confesso que, quando peguei o livro nas mãos e comecei a folha-lo, me emocionei.
O cartão de vacina de Cobain
Um dos muitos desenhos de Kurt
Certificado de reconhecimento de participação escolar
Estar diante de Cobain Unseen é ficar em contato com algo diferente de tudo o que já viu. Por fora, um livro capa dura, com uma foto impressionante e acabamento impecável. Por dentro, partes da vida de um dos caras mais importantes da historia da musica bem diante de meus olhos. A medida que você vai virando as páginas tem a incomoda sensação de que está mexendo em algo que não te pertence, escrafunchando as coisas alheia, tamanha a fidelidade das reproduções.
Cartão do Serviço de Assistência Social de Kurt
A coleção de macacos de Cobain. Alguns deles podem ser visto no site oficial do fotógrafo que fez as fotos sensuais da filha dele Frances Bean Cobain, em agosto de 2011.
A cada página virada é uma supresa: uma foto, um cartão, um ticket, um bilhete, uma folha de caderno com o rascunho da letra de Smells like teen spirit, uma máscara de plástico, um pedaço do diário.
“Querido diário, eu. Eu. Eu. Finalmente estou escrevendo sobre o que eu acho que está errado comigo. Meus defeitos, minhas inseguranças, meus problemas… “
A máscara de plástico “decorada” por Cobain
E, pra quem como eu, há anos tenta juntar o quebra-cabeças Cobain, pode-se dizer que essa era a peça que faltava. Tudo remete à parte mais humana de um cara que, longe dos holofotes ou nos raros momentos e que sentiu a alegria genuína de viver era um homem cheio de sonhos, criatividade e expectativas. O fato de ele ser um suicida em potencial não o impedia de ser uma pessoa que desse valor às poucas coisas que queria nos momentos em que mais precisava delas. Seu amor por Courtney Love, por sua filha, sua bizarra coleção de cabeça de bonecas ou de macacos de brinquedos, seus desenhos, suas idéias, as cartas que escrevia com a intenção de mudar o seu mundo. Está tudo lá.

A réplica fiel de um cartão que Kurt fez, com um desenho seu, em 1980, quando tinha 13 anos.
Uma das inúmeras “heart shape box”

Na realidade não estamos diante de um livro mas sim de uma caixa de lembranças. Diante dela, o brilhante texto do biógrafo oficial de Cobain Charles R, Cross torna-se uma mera alegoria para nos guiar pela mente de um dos músicos mais brilhantes da nossa geração. Nada que ele tenha escrito nos surpreende mais do que os detalhes de cada legenda que acompanha cada objeto.

Rascunho de Smells like teen spirit em uma folha de caderno
O livro traz também um CD com algumas gravações faladas de Kurt. Sinceramente, ainda não ouvi, até porque tem-se um mundo de coisas mais relevantes para se descobrir, pegar, apalpar, virar, dobrar, guardar, se emocionar.
- Cobain Unseen
- CROSS, Charles, R.
- 1ª Edição – 2008 – Estados Unidos
Falando nisso…








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