Kurt Cobain – 18 anos: E ele jurou que não tinha uma arma… sim, jurou que não tinha uma arma

“
Este post era para ter ido ao ar na noite de ontem… não escrevi por motivos bastante pessoais. Mas, se voltássemos a 1994, o corpo de Kurt ainda estaria apodrecendo na garagem. Ninguém havia descoberto que o maior ícone dos anos 90 jazia em um chão que fedia a seu próprio sangue, vindo de um belo rosto deformado pelo tiro certeiro de uma espingarda. Portanto, ainda há tempo de escrever sem perder o que jornalismo chama de timimg.
O Dia da Mentira poderia ser, desde 1994, o dia 5 de abril. Kurt Cobain, ícone dos anos 90, estava com a sua luz vermelha acessa mas conseguiu usar o seu livre arbítrio e acabar com o seu sofrimento – que era viver – com pequenas mentiras. A maior delas era cantada obrigatoriamente em todos os shows pós Nevermind:
“….And I swear that I don’t have a gun, no, I don’t have a gun…”
E ele tinha… e adorava mostrá-la. Não para se exibir mas para dizer que poderia fazer o que dizia que ia fazer….


… sem temor. Sem o mínimo preceito religioso. Sua única preocupação ao marcar o dia 5 de abril pra sempre foi com as pessoas pelas quais despertou um sentimento de amor e dependência: sua mulher e sua filha.
Kurt não precisaria dizer nada. Apenas dar o tiro. Mas deixou uma carta com sua justificativa na qual - percebam a ironia – imortalizou uma das frases mais célebres do rock, dita por Neil Young….
…it’s better to burn out than to fade away.
18 anos depois…

…milhares de fãs se preparam para assistir a um show em pleno Sábado de Aleluia em São Paulo. O Foo Fighters, banda que virou um ícone tão grande quanto o Nirvana – com a diferença de que seus membros parecem se divertir o tempo todo – é, com merito, de Dave Grohl, segue o seu caminho de sucesso e glória pelo mundo afora.
… Frances Cobain nem de longe lembra o bebê fofo que encantava a todos por onde Kurt passava. Hoje, seu misto de sensualidade e rebeldia, pegou a todos de surpresa quando posou para as lentes de Hedi Slimane com o olhar seguro de quem assumiu o posto de princesa do Grunge. Com um olhar firme que seu pai nunca conseguiu ter ao longo dos 27 anos em que viveu.
…Courtney Love ainda vive seu papel de viúva negra do grunge ao ser odiada por muitos e ainda a principal suspeita da teoria conspiratória de que a morte de Kurt ter sido um assassinato e não um suicídio. Tresloucada, ainda age como uma adolescente que precisa de palavrões, ofensas e atitudes infantis para se auto afirmar. Juntou sua ex-banda, faz seus shows e sua vida pessoal rende muito mais páginas de revistas e bites na internet do que sua carreira.
…Nevermind, a cada ano que passa ganha a notoriedade que merece e impulsiona os demais álbuns em venda de CDs originais.
E não sobra muito para falar… além do que já foi escrito – duas vezes – por Charles R. Cross (Mais Pesado que o Céu e Cobain Unseen), considerado seu biógrafo oficial e definitivo. Do que já foi exposto, gravado, regravado, contestado… lembrado. Com muito respeito, não pelo seu ato – que não cabe ser considerado como “fuga covarde” – mas pela sua trajetória que, mesmo sofrida, nos deu palavras para expressar a dor às três horas da manhã… ou sozinho no seu quarto tendo 18 ou 36 anos.








Pingback: Nadave Links 193