“Você sabe que não é tarde para manter a fé”: Keep the Faith – os 20 anos da grande virada da Bon Jovi
Arquivo Pessoal Cler Oliveira
Impossível citar o hard rock, ou melhor, o rock em geral, sem falar pelo menos uma linha ou vários parágrafos da banda Bon Jovi. Formada em Nova Jersey, em 1983, conheci apenas quatro anos depois quando, em 1987, emplacaram uma – a primeira das seis rock ballads que serviriam de tema de novelas da Globo – Mandala. A música? “Never Say Goodbye” (alías uma das melhores trilhas de todos os tempos).
Como naquela época a MTV no Brasil ainda era um sonho distante, três anos depois fui conhecer a cara dos pintas que haviam me conquistado quando eu tinha apenas 11 anos de idade. De lá pra cá,assim como U2, Bon Jovi tem um Quartel General do qual eu não me desfaço mesmo tendo 36 anos na cara.
Arquivo pessoal Cler Oliveira (foto analógica que
já passou por diversos processo mas continua firme e forte)
Por que falar de Keep the Faith?
Porque esse, foi, na minha opinião, o álbum mais importante da carreira da banda. Presta atenção: não disse que o melhor, o mais vendido – vendeu “apenas” 12 milhões de cópias, o que não é a melhor marca da banda – e tão pouco o que deva ser o mais aclamado de toda a sua discografia composta de 16 álbuns, mas sim o mais significativo.
Em 3 de novembro de 1992, quando o álbum foi lançado, a banda tinha apenas nove anos de idade. Uma criança que disputava os assentos VIPS da galeria do rock vendendo milhões de álbuns, emplacando um hit atrás do outro (inclusive dois na famosa galeria de Cigarros Hollywood – em uma época em que fumar fazia bem aos ouvidos), e sendo o pioneiro do formato unplugged MTV.
Impossível de imaginar que uma banda com apenas tão pouco tempo de estrada, tanto sucesso, grana e causando um auê por onde passasse, fizesse uma pausa de cinco anos. Esse stand by deixou os verdadeiros fãs apreensivos já que nesse meio tempo, Jon Bon Jovi fez a trilha sonora de Young Guns II – fazendo uma ponta menor que o ponto que encerra essa frase, concorrendo inclusive ao Oscar de Melhor Canção Original. O guitarrista – e, na minha opinião – a alma da banda Richie Sambora, embora mais discreto, também arriscou seu vôo solo com Strange in This Town
Na vida particular tudo ia muito bem. Jon estava prestes a ter sua primeira filha e o restante do bando não tinha do que reclamar. Ricos, jovens, bonitos e famosos. Quando todos pensavam que aquele seria um fim precoce de um ícone do hard rock, eis que renascem mantendo a fé no trabalho e na retribuição dos fãs. Um disco com batidas diferentes a começar pela faixa-título que trazia uma bateria tão ritmada que conseguia expressar toda a energia de voltar à cena musical.
Músicas positivas como I Believe e divertidas como I’ll sleep when I dead, conviviam harmonicamente com as tradicionais rock baladas como a clássica Bed Roses e a que beira a falta de inspiração I want You (mas eu adoro).
A temática social aparecia em uma das faixas mais longas e com um dos solos mais virtuosos da História do Hard Rock, Dry Country. E em apenas algumas faixas tínhamos uma banda que redescobriu uma nova forma de fazer o hard rock.
Além da música, o visual da banda mudou. E pra melhor. Jon e Richie abandonaram aqueles guaxinins na cabeça para um corte mais moderno (que – graças a Deus, mantêm até os dias de hoje), por um visual mais clean. A volta também marcou o fim da Era do baixista Alec John Such que, mesmo depois de tantos anos – e uma biografia oficial – a história ficou mal contada. O que se sabe é que seu substituto, Hugh Mcdonald assumiu o instrumento mas nunca oficialmente o seu lugar já que, depois da saída de Such, a Bon Jovi se transformou oficialmente em um quarteto. Por tudo isso e por questões emocionais que você, que curtiu intensamente os anos 90, fã da Bon Jovi pode acrescentar, vale o destaque para Keep The Faith












