Início » Entrevista, EXCLUSIVO!

Entrevista coletiva: Esteban responde suas dúvidas sobre a nova fase


[27 Sep 2012 | 2 comentários | Cler Oliveira]

Foto: Carol Basegio

Na semana passada, abri, via Twitter e Facebook uma oportunidade para que os fãs do Esteban Tavares pudessem fazer perguntas para ele. As cinco melhores seriam selecionadas e ele responderia já que, antes de prestigiar o show de lançamento do álbum  ¡Adiós, Esteban!, no Opinião, em Porto Alegre, eu iria bater um papo com ele. O resultado foi muitas perguntas bacanas –  o que me fez escolher mais do que cinco.

E no fim de uma tarde fria na Capital dos Gaúchos, no hall de um hotel na Cidade Baixa, encontrei com ele para satisfazer a curiosidade de alguns de vocês. O clima não poderia ser melhor: nem mesmo o fato de não termos um lugar mais reservado para ficar conseguiu tirar o brilho daquele dia que, além do lançamento de um sonho realizado, também marcava o aniversário do amor de sua vida – a VJ Titi Muller – um grande show em uma das maiores referencias musicais de Porto Alegre com a venda de mil ingressos antecipados e promessa de casa lotada. Show no qual teriam na platéia seus amigos de longa data, parentes e pessoas que, acima de tudo, torciam pelo seu já consagrado sucesso.

Então, vocês que mandaram perguntas, veja se a sua está aqui. Caso não esteja, fique triste não. Oportunidades não irão faltar. Enjoy yourself!

Carol Bittencourt – Qual a proposta da narração do gol do Internacional na música visita?

Esteban Tavares – Nenhuma. A não ser rebater a música do Humberto, Amanheceu em Porto Alegre, que tinha o gol do Grêmio. Nunca teve uma música [com o gol] do Inter. Aproveitei que estava fresca a ideia de que o Inter havia acabado de ser campeão e usei.  Só isso.

CB – Como surgiu “(eu sei) Você Esqueceu” e qual a intenção da frase em espanhol?

ET – Surgiu do roteiro para o qual me convidaram a fazer a trilha de um filme, que eu não lembro o nome porque não rolou. Mas eu lembro que recebi o roteiro, li – que não tinha nada a ver com a música – então, comecei a escrever em cima daquilo que eu imaginava que poderia ser legal, mas isso meio selecionado na minha cabeça. Eu imaginaria que filme seria. Como o filme acabou não saindo eu usei pra mim. E, a frase em espanhol…

…Na verdade aquela frase é muito boa. Faz parte de uma entrevista que eu nunca vou dizer qual é para as pessoas não acharem um dia… vai ser legal porque nunca vão achar. Isso é que é bom porque é uma pergunta que fizeram para a entrevistada e eu achei muito foda aquilo. Achei muito bonito porque a pergunta é muito boa.  Quem estava sendo entrevistada era uma das minhas artistas preferidas e é uma frase muito forte. “Qual é a primeira música que tu cantou na tua vida mesmo?” E eu achei aquilo forte pra caralho. O nome da música é (eu sei) você esqueceu e acho que ela casou muito bem. E a resposta está no final do disco.

CB Como foi replanejar, se não estava planejado, Muito além do sofá já que foi uma das músicas que mais teve mudanças tanto na composição quanto na melodia? A proposta era ter esse clima mais carioca?

ET - Só pra frisar: não teve nenhuma mudança quanto à composição e a melodia. A proposta era ser mais carioca mesmo porque eu estava quase morando no Rio.

Cler – teus amigos eram de lá.

ET – Sim. As pessoas que eu mais convivia eram do Rio  naquela época  e tinha tudo a ver. Foi inspirado nisso. A primeira frase da música tinha escrito no caderno da Carol. Ai eu cantarolei aquela ali, peguei o violão e terminei a letra com ela.

Cler – Foi tudo numa noite, praticamente.

ET – Na mesma hora. Ela tem gravado o momento real.

CB – O Thedy já cantou “Sophia”, tua música já toca nas rádios, tu já toca com o Humberto… E agora, o que mais que tu quer? O que tu almeja?

ET – O que eu almejava mais, fora o lance do Humberto e de tudo o que aconteceu, já consegui também que é o EP que eu estou fazendo com o Aaron Martin, que tem o Christian, do Anberlin.. E eu acho que… Não sei. Eu tenho uma banda com o Humberto já. E é muito louco isso.

Cler – Que é completamente diferente do teu trabalho.

ET – Completamente diferente. Mas para quem queria gravar com o Humberto, ter uma banda com ele é muito mais do que eu queria.

Não sei… Sei lá. Eu queria conhecer o Fito, mas isso já tá em vias de acontecer.

Cler Gravar, talvez?

ET – Talvez, mas não posso dizer que vou gravar com o cara se o contato que eu tive foi via gravadora.

Cler – Mas vai conhecer.

ET – Vou trocar algumas figurinhas.

Priscila Ribas – Onde que tu se vê daqui há cinco anos?

ET – Não sei se geograficamente ou se filosoficamente. Cara, provavelmente vou fazer algo bem parecido com o que eu faço agora. Como eu estava fazendo há cinco anos. As pessoas podem achar diferente mas na minha cabeça é muito simples. É muito linear, desde que eu tenho 20 anos, embora tenha surpresas pra mim e as coisas mudem, elas não mudam tão bruscamente porque eu vou planejando as mudanças. Então as coisas parecem meio linear pra mim. Não parecem muito extraordinárias. Se eu pegasse a minha história e se outro cara fosse ler, eu acharia interessantíssima, mas como eu vou acompanhando as coisas que vão acontecendo, as surpresas são menores. Não é um baque. Sei lá… Daqui há uns três anos eu queria estar com mais uns dois discos, show ao vivo. Putz, tem tanta coisa pra acontecer…

ClerTu te transformou num pupilo [do Humberto]…

ET – Não sei como é que ele enxerga isso, cara! Não sei. Eu tenho muita vergonha porque sou muito fã dele. Eu tenho total vergonha. Eu falo com ele quando ele fala comigo. Sou um cara um pouco envergonhado pra isso ainda. Porque, querendo ou não querendo, eu volto pra São Paulo e fico ouvindo o disco dele. Esses dias eu estava ouvindo o Papa é Pop lá em casa. Ouço o Papa é Pop desde que eu tenho sete anos e eu já estou grisalho e o Humberto continua loiro e ontem eu estava na casa do cara! Mas, quando eu boto o Papa é Pop pra tocar, não é o mesmo cara que eu estava na casa dele antes. Tem um lance de “fã” que é muito estranho de separar. Eu não sou um cara que consegue separar muito fácil. Eu respeito muito. Sei que não sou aquele cara chato. Não incomodo. Mas não consigo separar muito. Acho ele muito foda. Acho que conhecer uma pessoa não faz ela menos legal do que ela é. Eu sou cheio de dedos pra falar com o cara porque ele que me formou.

Cler – E tu regravou Sinto Muito Blues com ele e ficou muito forte.

ET - É. Sinto Muito Blues era uma frase de uma música dele, Pampa no Walkman, que foi feita inspirada no Humberto. Daí o cara vai lá e canta. É estranho… Não é que seja estranho mas é um mix de emoção.

Rafael Fortunatto – Como todo bom compositor qual foi a canção que mais mexeu com as tuas emoções na hora de escrever?

ET – (Depois de um tempo em silêncio, Tavares arrisca uma resposta sem muita convicção, como quem tem medo de cometer uma injustiça) Tem umas que mexem e outras que não mexem nada. Tem umas que são muito mais sérias. Por exemplo: a música que eu mais me emocionei foi visita. Quando eu vi ela pronta eu ficava chorando sozinho. Até me pegaram chorando. Olha como eu sou idiota: achava muito bonito o gol do Inter. E, quando entrava a gravação do gol do inter, logo depois que eu fiz a demo, lá em 2007, eu não aguentava ouvir aquilo. Eu achava muito bonito, aquele gol entrando, aquele troço todo, a harmonia que entra do gol eu acho muito bonita e que não tem nada a ver com a letra.

Agora, acho que a que mais me emocionou foi… sei lá. Acho que na hora de compor a música que foi mais forte foi… difícil… (Tavares passa o olho no setlist que acabara de escrever para o show da noite e mesmo assim não se livra do ar de indecisão) acho que Segunda-feira. Muda também foi forte. Porque Muda demorou muitos anos pra ficar pronta.

Alisson Lopes – Queria saber se  vai ter  disco da aBRIL em 2013 e qual que seria o segundo single do Esteban?

ET – O segundo single eu quero que seja Segunda-feira e eu estou trabalhando para fazer um disco da aBRIL ano que vem. Tem muita coisa pra fazer ano que vem. Não sei o que vai rolar. Sabe  lá o que vai sair dessa parceria com o Humberto…

Cler – Juntar a aBRIL é algo que tu já faz de vez em quando.

ET – Sim. Mas agora eu quero juntar mais sério. Quero fazer um disco novo. Sabe-se lá o que se reserva pela frente. Não consigo mais responder a pergunta porque… é tanta coisa. Eu odeio falar sobre o futuro porque o futuro muda tanto.

Nei Morales – Mestre Rodrigo, hoje em dia tu és como “um BBB”. Se importa de ficarem falando “Tavares ex-Fresno”?

ET – Não me importo. Me importaria se falassem “Tavares da Fresno” porque eu não sou mais. Tá certo. A colocação está correta. Parabéns. Não adianta: fiz parte da Fresno um baita tempo, sou quem sou por causa da Fresno, ganhei um bilhão de prêmios, vendi discos pra caralho, com a Fresno, como é que eu vou negar o passado?

Letícia T – Muita gente, na faixa dos 17, 18 anos enfrenta um baita dilema na hora de decidir o que fazer para o resto da vida e acaba entrando em desespero. Por vezes, até fazendo escolhas precipitadas. Contigo aconteceu algo parecido ou desde cedo sabia que carreira seguir? Quando foi que tu teve certeza que queria trabalhar com música?

ET -  Eu sempre quis ser músico. Agora, trabalhar com música é outra decisão. Se tu quer ser músico tu pensa em entrar pra uma faculdade. Até cheguei a entrar em uma faculdade mas foi meio que… sei lá. O legal da época de ter convivido com a Cidadão Quem é que foi ver como é que funcionava e tal. Se a galera andava de helicóptero. Se bem que, nessa época eu já tinha banda e já queria ser músico mas, o lance de trabalhar, olhar uma banda funcionando e ver que também não é tudo do caralho, que não é só luxo. A convivência toda fez com que eu achasse muito boa a ideia de viver de música até porque todas as outras opções te interessam, até porque, tu é novo. Tu pode trabalhar com produção, como técnico, qualquer coisa que trabalhe no momento envolvido com música, não só ser músico, tava valendo naquela hora, se pintasse. Com 17 anos eu queria estar envolvido profissionalmente com a história. Eu quero ser músico acho que desde sempre.

 

Maitê Mendonça – Como surgiu a ideia de fazer um cover de Vambora, da Adriana Calcanhoto, e incluir o trecho de Comin’ around again, da Carly Simon? A versão do Copeland fez, em 2004, teve alguma influencia?

ET - Eu sou muito fã da Adriana Calcanhoto. Acho que tem tanta coisa afudê que o cara pode conhecer e mostrar pra galera que é muito dificil um cara, fã de Fresno, conhecer bem o trabalho de Adriana Calcanhoto. Não que eu queira ser pretensioso, dizendo que eu queria mostrar Adriana Calcanhoto para os fãs. Mas eu gostava da música, ela se encaixava totalmente no que eu gostava de fazer,  e quebra uma barreira de que não precisa essa barreira de que não precisa ser exatamente um artista que seja muito similar a ti. E agora eu incluo ela no show porque muita gente conheceu essa música pela minha versão. Pra mim é do caralho saber disso. E eu sou fã dela. E quanto ao Comin’ Around Again, embora eu já conhecesse a versão da Carly Simon desde criança, a versão do Copeland é muito legal. Eu peguei e fiz um hibrido. É tão boa a versão que eu fiz a Vambora em cima da versão da Copeland. O Copeland teve influência até no jeito de fazer Vambora.

Cler – Pergunta minha: qual foi a maior dificuldade desde que tu saiu da Fresno?
(Leia: À beira do caminho: carta aberta a Rodrigo Tavares)

ET- Não tive. Eu já sai da Fresno com a vida feita. Não com a vida feita mas com os meus 30 anos, minha casa, televisão, cama. E apostar é novo, são coisas novas mas eu sai da Fresno em um momento em que a banda estava sem gravadora e sem empresário. Não houve diferença.

Cler – Tu adotou o “Do it yourself” (Faça você mesmo)

ET – Não sou tão rebelde a ponto de não ter apoio. Se tiver alguém legal, eu sempre vou trabalhar. Mas também eu tenho outros limites de mercado que eu não quero mais me envolver. Não quero mais trabalhar com certo tipo de pessoa.

Cler – No tempo da Fresno tu conheceu os dois lados do showbusiness.

ET – Bem na real. Mas o underground, só por si, também não é tão legal. Não sou aquele cara entusiasta do underground que tem que ficar underground. Acho que tem que fazer um meio termo. O ideal é tu dormir bem. Ser  cético contigo e não com os outros. É não ser prostituto.

Cler – Sobre a forma de distribuição de teu disco: primeiro tu distribuiu ele e estourou as vendas do primeiro lote

ET – Em uma hora.

Cler – Tu acha que o caminho é por ai?

ET – Eu estava falando com o Fernando Anitelli, muito meu brother e eu sou muito fã desse cara e ele veio falar do meu disco, que achou legal de eu ter lançado mas o mais interessante é que ele disse que agora, em 2013, vai completar 10 anos do primeiro disco d’O Teatro Mágico – que foi lançado de graça [Entrada para raros - 2003]. E em 2012, esse disco alcançou 500 mil cópias vendidas. Que é muito mais que a Ivete Sangalo, por exemplo. E o Fernando só vende os discos dele no show ou nas distribuições que ele tem nos contatos olho a olho. O DVD dele já está em quase 200.000 copias e hoje ninguém vende isso.

Ele fidelizou o público, que segue ele, consome a música dele de graça e que vai lá e tem o souvenir – que é o CD, hoje em dia. E eu acho totalmente possível no meu caso também. Não com a pretensão de vender meio milhão de discos mas vender meus discos e fazer com que as pessoas o conheça de graça também. Em Curitiba vendemos todos os discos que eu tinha levado. Na realidade, o público quer ter a tua foto, eu vendo o disco no mesmo que está na pré-venda.

 

Agora ninguém mais segura: College Rock Tour em Novo Hamburgo
Como diríamos aqui no Sul, os caras se puxaram. Foram 28 edições do College Rock, show que reúne os principais nomes do Novo Rock Brasil. Não raras as vezes com ...
Leia mais
College Rock: A noite em que Porto Alegre reverenciou Esteban
Foto: Carol Basegio Elton Freitas, 18, saiu da cidade de Pelotas de madrugada. Pegou duas caronas com desconhecidos e caminhou quilômetros ao chegar na cidade de Porto Alegre. Tudo para estar ...
Leia mais
Depois do grande sucesso em São Paulo Tavares, baixista da Fresno, traz Esteban a Porto Alegre
Foto por Gustavo Vara Com shows lotados e sucesso garantido de público e crítica por onde passa, Rodrigo Tavares, baixista da Fresno, prepara o seu projeto solo, Esteban, para aterrizar em ...
Leia mais
“Uso minhas músicas para mandar recados”
Sobre a Abril Tavares - “Abril está hibernando. Fica muito complicado manter duas bandas. Falta de tempo. Seria até antiético. Assumi a Fresno como minha banda e minha prioridade é ela. ...
Leia mais
Invertendo os papéis: quando o ídolo vira fã: a relação com a Cidadão Quem
Foto: Gustavo Vara [Quando ele começa a falar sobre a Cidadão, em raros momentos o interrompi. Achava que se fizesse isso, poderia deixar algo escapar daquele quarto. O relato foi praticamente ...
Leia mais
Agora ninguém mais segura: College Rock Tour em
College Rock: A noite em que Porto Alegre
Depois do grande sucesso em São Paulo Tavares,
“Uso minhas músicas para mandar recados”
Invertendo os papéis: quando o ídolo vira fã:

Related Posts with Thumbnails

Share on Tumblr

Cler Oliveira

Cler Oliveira, jornalista, gaúcha, apaixonada por música. Curte pop rock internacional dos anos 80, 90 e tudo o que agrade os ouvidos depois dos anos 2000.

More Posts - Website

Follow Me:
TwitterFacebookGoogle PlusYouTube

  • Carol Bitencourt

    Mais uma vez o Rodrigo me surpreendeu com as suas respostas, e aí que está toda a diferença dessas tuas entrevistas, rola um clima tão intimista que ele se sente a vontade de contar “coisas a mais”, que para nós, fãs, faz toda diferença.
    Parabéns por mais essa entrevista, Cler!

    Responda este comentário

  • http://www.facebook.com/LeticiaToriani Letícia Toriani

    Cler, mais uma vez tua entrevista trouxe “revelações” totalmente inesperadas pra mim.
    Um dos meus maiores problemas é que, quando consigo chegar perto de alguém que é muito meu ídolo – como aconteceu com o Duca e com o próprio Tavares -, por mais que eu tenha mil coisas pra falar, simplesmente travo. De vergonha, mesmo. Nunca imaginei que o Tavares, pelo menos da visão de pessoa extremamente comunicativa que eu tenho dele, também sofresse disso. Por outro lado, mesmo que indiretamente, uma das perguntas que eu gostaria de fazer chegou até ele. Graças a ti.
    Por isso aqui fica, mais uma vez, meu muito obrigada. E parabéns por mais uma entrevista sensacional, daquelas que fazem a gente se sentir bem em ler!
    PS.: Eu sou a Letícia daquele e-mail gigante seguido por duas questões, uma sobre os ídolos. Hehe

    Responda este comentário

- web5 - ww8