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Esteban, Sophia e outras histórias

Esteban - Tavares

Foto> Gustavo Vara

Esteban. Sob um pseudonimo que denuncia a fissura de Tavares pela cultura Argentina, o baixista da Fresno decide se jogar em um projeto paralelo. Segundo ele, uma forma de lançar músicas que não se encaixam no perfil da Fresno e tampouco no da Abril, banda que ocasionalmente se reúne em algum lugar de Porto Alegre.

Para quem acha que isso pode ser um sinal de abandono do posto de baixista de uma das bandas mais populares da atualidade, ele deixa um recado:

“A Fresno é a minha banda e vou ficar nela indefinidamente”.

Esteban é para Tavares um novo canal de expressão no qual ele pode lançar suas “músicas estranhas” com toda a liberdade de composição e produção que faria inveja a qualquer artista. Na entrevista, Esteban fala sobre seu público, objetivos e sobre a história por tras do carro-chefe, Sophia.

Cler – De onde surgiu o Esteban?

Tavares – Esteban é um pseudônimo. Eu tinha algumas músicas que não combinavam com a Abril e nem com a Fresno e queria lançar. Daí pensei… ‘Tavares? Não é legal’… ‘ Rodrigo Tavares’, também não. E eu sempre tenho um lance muito forte com a Argentina e uma vez, no Orkut, há uns dois, três anos, encontrei um profile fake de um cara que é meu ídolo. Stephen. E no about estava escrito apenas ‘call me Esteban’. E eu fiquei com aquilo na cabeça. Logo coloquei meu nome como ‘Rodrigo Esteban Tavares’ e pensei em lançar minha músicas estranhas como Esteban.

Cler – Como tu defines este teu trabalho?

Tavares – Eu gravo tudo, toco tudo. Mixo, masterizo, não tem a mão de ninguém, nem na pós produção. Um exercito de um homem só. É um lance megalomaníaco total.

É medíocre, às vezes, porque tenho muita noção de não ser medíocre tocando. Quando faço algo, consigo me responsabilizar. Sei que não vou tocar mal porque respeito os meus limites. Por isso, quando entra a gaita e eu toco aquelas seis ou sete notas é porque vou conseguir tocar de um jeito bonito. E é bonito! Se a melodia terá quatro notas ou 285 em um minuto, isso pouco importa, desde que seja bem executado. E ai eu me cobro bastante. Quero que tudo seja do meu jeito. O baixo tem que ser tocado por mim porque somente eu entendo como será aquele baixo, assim como a bateria. O piano… eu poderia chamar um pianista ótimo e o cara fazer um monte de firula, mas que graça tem se eu não puder sentar e tocar a minha música?

Cler – Quantos instrumentos tu tocas?
Tavares – Tocar mesmo é guitarra, bateria e baixo, violão. O que eu faço sei tocar. É de certa forma um egoísmo, talvez, que este projeto seja todo meu, falando nas músicas o que quero falar. Não preciso seguir fórmulas.

Esteban - TavaresEsteban - Tavares

Fotos: Luringa

Cler – Com o Esteban tu tens dois tipos de públicos: a galera que acompanhava a Abril e o pessoal que acompanha a Fresno. O teu trabalho com o Esteban reúne esses dois tipos ou cria um terceiro ainda mais distinto?

Tavares - Acho que, pelo fato do Esteban ser eu, consigo atingir os dois públicos e mais uma galera que conheceu o projeto…[nesse instante ele pára como se fosse vencido pelo desconhecimento do resultado desse trabalho]. Eu sinceramente, não sei. Não sei porque não divulguei o Esteban. Ele simplesmente está acontecendo. Muita gente me convida para fazer shows e tudo mais . Faço um show numa quarta-feira, de noite, não muito divulgado, porque simplesmente não quero concorrer com ninguém. Não quero concorrer comigo mesmo. Eu até gostaria de tocar com um violão em um barzinho, mas preciso ter tempo. Tenho que ver questões de agendas… Claro que é lindo tocar e a galera cantar mas ,com o Esteban, não tenho pretensões tão grandes assim.

Cler – Mas o que tu pretendes com esse trabalho já que ele não tem pretensões?
Tavares - O que eu quero é que as pessoas ouçam e saibam que eu faço algo diferente também e que esse trabalho está ai. Não posso ter uma agenda mais profissional que isso.

Cler – Você já pensou em como distribuir esse trabalho? Hoje em dia, muita gente está indo na vibe de distribuir suas músicas de graça [vide o caso do Ultraje a Rigor e Radiohead]. Há alguma pretensão nesse sentido para o Esteban?

Tavares – A principio, não. Na verdade eu coloco via streaming (para ouvir, sem download) no MySpace para a galera conhecer. Eu nunca tive a intenção de tornar a história muito pop. É um projeto meio acanhado [risos]. Já tive proposta para fazer um clipe de Sophia. Meu objetivo não é chamar muito a atenção. Quero que este trabalho seja descoberto, que as pessoas comecem a gostar aos poucos e deixar o boca-a-boca levá-lo adiante e ver o que vai acontecer.

Cler – Um trabalho na manha.
Tavares – É, na manha porque é apenas um escape. Mas é um escape que movimentou muita coisa.

[Nesse momento faço a minha primeira tentativa de saber quem é Sophia. Ele ri e diz que iremos chegar nela. Aceito o acordo improvisado e decido esperar pela hora certa. Até o momento, tudo o que sei é que Sophia é o carro-chefe desse novo projeto e que no MySpace já foi ouvida cerca de 27 mil vezes, tornando-a em um webhit em menos de quatro meses de execução virtual].

Cler – Nunca tocou Sophia em show?
Tavares – Nunca. Eu não misturo. Já me pediram para tocar em rádios, mas recuso. A Fresno é a Fresno. Mas confesso que eu gostaria de ver a reação da galera porque é uma musica que me levou a um nível que eu não esperava alcançar.

[Tavares muda a expressão e de um entusiasta passa a colocar o carinho que tem com a própria obra no tom de voz que se torna mais suave, acompanhada de um leve sorrisso e um olhar distante]

… Acho que é a música mais bacana que eu fiz na minha vida.

[Confesso que, diante de tanto carinho pela música, fui tomada por uma curiosidade imensa de saber quem estava por trás dela. Depois de mais de duas horas de conversa, na qual falamos sobre absolutamente tudo, sem aviso, o pego de surpresa e resolvo que é o momento de saber quem é Sophia. Ele ri. Se estica. Me olha por alguns segundos, talvez pensando em me fazer desistir da resposta. Fica desconcertado até fixar o olhar em algo localizado atrás de mim.]

Cler – Se não quiser responder…

Tavares - Não. Não.. tá tudo bem. A Sophia… bem.. a Sophia é a Sophia… me dou muito bem com ela e.. .ela virou uma música muito foda. Quando a música foi feita eu queria que ela fizesse parte da minha vida. Muito. A música é um convite que não deu certo [risos]. Além de ter se tornado em uma canção genial, ter conhecido ela me colocou diante de várias pessoas geniais.

Cler – Quando tu falas da Sophia tu te tornas em um menino de 17 anos..
Tavares –
Talvez porque ela tenha um pouco mais que isso [risos]. Ela me confundiu ao ponto de eu fazer aquela música daquele jeito e isso foi muito bom pra mim. Aprendi pra caralho. As vezes você pensa que não há limites na vida e quando se depara com esse limite, você desaba.

Cler – Isso quer dizer que é difícil você ouvir um ‘não’.
Tavares – Cara, eu ouço muito ‘sim’ que eu não estou nem ai. Mas de repente você ganha um ‘não’ que é significativo e pensa.. ‘puta merda’.

Cler – Todos os teus relacionamentos foram tão traumáticos a ponto de virarem canção?[Tavares retoma o ar seguro e volta a me olhar nos olhos] “Não. A partir de 2003, minhas músicas rolavam em torno de uma única pessoa. Acho que isso é importante para que tu atinjas um estágio diferente. Essa pessoa me levou até ele. Mas o lance com a Sophia.. .eu fiz tudo de forma diferente. Aprendi a ser dramático sem ser triste. A música não é triste. É uma canção positiva que mesmo triste te diz ‘vai atrás’. Eu nunca tinha escrito algo assim. Mesmo sob uma mesma temática, atingi um novo nível de composição. Ela é muito pra cima, é muito ingênua…

Cler – Tu é apaixonado por essa música, não?
Tavares – Sou. Muito. Quando eu terminei ela eu pensei ‘cara, não preciso fazer mais nada’. Numa ‘pira’ minha, apesar de parecer muita pretensão, já imaginei o Thedy (Corrêa, do Nenhum de Nós ), tocando Sophia.

Cler – E se a Sophia batesse na tua porta agora?

Tavares – Se a Sophia batesse na minha porta agora? [Tavares fica tímido e volta a colocar o olhar sobre todas as direções daquele quarto, até que, mais uma vez, fixa na imagem da cena descrita. Ele repete mais uma vez a pergunta e sorri. Desconcertado. Até me dar uma resposta nada criativa, mas muito sincera]. Eu a convidaria para tomar um café e pronto. Saber como ela está e… deu. [repentinamente, retoma a autoconfiança] Não é ‘e deu.’. Acho que deixaria bem claro que eu tentei. Embora tenha uma música da Fresno que diga ‘não, eu não vou desistir’ , vai para um ponto que tu tem que aceitar.

“não, não, eu não vou desistir assim” (Pólo)

Cler – Sabe que eu não consigo imaginar uma menina de 18 anos te dizendo um não.
Tavares – Mas existem caras muito mais legais do que eu [Então ele pára e dá um sorriso irônico, o primeiro até então. Não mais pela Sophia, mas pela minha ingenuidade e, talvez, por pensar que muitas pessoas imaginam a mesma coisa e, nesse momento, toma as rédeas da situação novamente]. É engraçado… eu de repente estou com uma garota muita conhecida e até mesmo cobiçada e, numa dessas o cara fica desarmado com uma menina de 18 anos. Uma menina que chega pra ti e toca  Michelle, dos Beatles. Que colocava para tocar Billy Joel.

Cler – Então ainda é difícil iniciar um relacionamento?
Tavares –
É porque eu sou um desconfiado eterno. Quando vejo uma mulher legal logo penso ‘putz, o que essa mulher tão legal vai querer comigo?’ [risos]. É tudo cada vez mais estranho. Eu tive muito azar quando eu tinha uns 20 anos. Daí, depois, eu me dei bem e depois me dei um pouquinho melhor. Mas com isso vem a desconfiança. Acaba que pode parecer troféu. Tenho certeza que tem gente que acha que eu tenho tudo. Certamente uma galera pensa que eu ando de helicóptero[risos]. E eu ando de metrô. Acho andar de carro em São Paulo um saco.

Já namorei meninas de Curitiba, Rio, Florianópolis, mas nunca em São Paulo. Nem aquele relacionamento de ver filme juntos. Então, nos outros Estados, encontro pessoas por outros motivos, diferentes daqueles que me unem às pessoas em São Paulo. Em um lugar conheço alguém porque faz teatro, em outro, porque é jornalista. Em São Paulo convivo mais com o meu nicho.

Cler – Sente falta disso?
Tavares –
Muito. Até o momento, para ter um relacionamento de verdade, eu tive que pegar um avião. Logo quando tu chega em São Paulo, todo mundo vem pra cima. Depois, quando tu te tornas conhecido é muito complicado pois tu esbarra em alguns tipos:

  • ou é a mulher que tem medo de ti porque tu é ‘o cara da banda’;
  • ou uma interesseira, desgraçada, que às vezes quer ficar comigo apenas para falar para as amigas.

[nesse momento ele se mostra extremamente irritado] não sei qual é o mérito que tem nisso. Antigamente não havia mérito nenhum falar que estava comigo. Por isso, tu não perde o simancol. Eu não consegui perder. Já fiquei com mulheres que eu via na televisão, mas eu não me deslumbro. Sei o que está acontecendo. [voltando a falar tranqüilamente] Pra mim, ela tem tanto valor quanto a menina com quem eu fiquei quando eu tinha 16 anos. Para se deslumbrar com isso tu tem que ter uma cabeça muito errada.

Cler – Tu já fez terapia alguma fez?
Tavares – Depois da Fresno? Não.

Cler – Mas tem uma hora que dá um nó na cabeça…
Tavares – Sim.. mas quando dá esse nó, tu viaja por 20 dias.

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ATENÇÃO: a matéria completa está fragmentada em diversas partes. Para lê-la na integra, clique nos subtítulos abaixo a qualquer momento:

 

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Cler Oliveira

Cler Oliveira, jornalista, gaúcha, apaixonada por música, sobretudo U2, Bon Jovi e Coldplay. Estudiosa constante de Kurt Cobain. Curte pop rock internacional dos anos 80, 90 e tudo o que agrade os ouvidos depois dos anos 2000. Também redatora no www.mudarock.com.br.

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