“Mostra-me a tua fé sem as tuas obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras” (Epístola de Tiago)
E é com essa mensagem que inicia o vídeo “Em busca da fé”. O clipe da gaúcha Chimarruts é tão bonito que não poderia ficar limitado à sessão ‘Grande Estréia da Semana”. Pela beleza da música, da fotografia e do propósito do vídeo, ja é a grande estréia de 2012 embora tenha visto a luz do dia no último dia de 2011. Um clipe que consegue, em apenas quatro minuto mostrar a beleza de trabalhos realizados por centenas de pessoas que fazem diferença, diariamente, na vida de milhares o ano inteiro.
O belíssimo trabalho da AACD de Porto Alegre (no qual tive a oportunidade de ver minha grande amiga, Carol Basegio, fisioterapeuta fazendo o que mais ama na vida que é dar qualidade de vida aos usuários da entidade), o projeto Canta Brasil, Adoradores de Vira-Lata, Centro de Educação Ambiental e mais um monte de entidades bacanas que conseguem fazer os seus trabalhso graças à força do amor, do voluntáriado e da crença das pessoas de construírem um mundo melhor.
Um dos clipes mais bonitos que eu já vi é orgulhosamente gaúcho. Confesso que a banda me surpreendeu e conseguiu transformar as costumeiras resoluções de final de ano em reconhecimento do trabalho daqueles para quem todos os dias é um novo recomeço. Parabéns à banda, ao idealizador do clipe e a todas as entidades que fazem a diferença.

Não sou crítica de cinema. Nem de música. Embora seja jornalista, aqui no blog escrevo informações sob a ótica das minhas percepções sobre música – o que é bem diferente de ser crítica - me dou esse direito. Falar sobre um filme, uma música, uma obra, é sempre subjetivo. Desta vez não será diferente.
Dito isso, me sinto a vontade em dizer que assistir a O Palhaço (Brasil, 2011) foi um presente que dei a mim mesma. Aliás, motivado por outro presente que ganhei: o kit com uma camiseta, um nariz vermelho e a trilha sonora do filme.
Após assistir é impossível não se perguntar como um enredo, aparentemente, tão simples, pode render cenas e uma história tão rica. Benjamin (Selton Mello) é um palhaço que ao lado do seu pai, o palhaço Valdemar (Paulo José) formam uma dupla de performances incrível. Porém, aos poucos, a melancolia vai tomando conta de Benjamin que, num determinado período da vida percebe que a vida do circo não lhe satisfaz e ir atrás do seu verdadeiro sonho, para quem nunca teve um comprovante de residência e principalmente identidade, é bastante complicado.
O filme é um presente porque além de lindo, traz uma constelação de estrelas que brilha ao longo da produção com participações curtas porém marcantes e essenciais. Moacir Franco (em sua estreia no cinema), Tonico Pereira, Jackson Antunes, Danton Mello, Fabiana Karla, Ferrugem – figura clássica dos anos 80 – e uma homenagem mais que merecida a um dos nomes mais significativos da história da televisão, Jorge Loredo, o Zé Bonitinho.
Selton Melo usa sua sensibilidade com precisão cirúrgica tanto na atuação quanto como diretor. Tudo que o cerca é na medida certa. Nada é afetadado. Te faz sorrir o tempo todo e quando quer variar, te faz gargalhar. Emociona e fica a seu critério derramar lágrimas ou simplesmente conviver por alguns minutos com o nó na garganta e os olhos mareados.

Adrian Teijido, responsável também pela produção de fotografia das séries Capitu e A Pedra do Reino, nos joga em um mundo onde tudo é mágico, colorido e grandioso, mesmo para quem, posteriormente, irá assistir em DVD.
O Palhaço é um filme diferente de tudo que, pelo menos eu já vi, no cenário brasileiro. É um drama carismático. Uma comédia deliciosa. Um romance com a vida de quem realmente precisa amá-la para suportar os golpes e as dificuldades do dia a dia.
Já que o assunto por aqui é música vale lembrar que a trilha é um espetáculo à parte por diversas razões. Primeiro porque o instrumental, assinado por Plínio Profeta, que já trabalhou com Selton no primeiro longa dirigido por ele, Feliz Natal, consegue trazer o espírito do circo de maneira vigorosa. Isto traduz o peso do drama e a leveza da alegria de quem vive do circo e para o circo.
Junto com Selton e Paulo José,a trilha é um dos principais personagens da trama já que, em muitos momentos é ela quem te leva ao encontro da emoção da cena. Um desafio para Profeta já que seu talento disputa a atenção de belas imagens, grandes atuações e, por muitas vezes, rouba a cena de forma sutil e a devolve sem que o telespectador tenha percebido pelo que passou.
Outro motivo que emociona é ver que Selton fez questão de resgatar grandes nomes da Música Popular Brasileira. Selton rende uma homenagem a cantores como Nelson Ned, Lindomar Castilhos e Altemar Dutra, vozes há muito esquecidas e que, se remexermos na história, veremos que fizeram muito mais por esse país do que qualquer novo ídolo possa imaginar. Artistas que interpretam o amor em toda sua dramaticidade. No momento certo. Na hora exata.
Se conselho vale de alguma coisa, se você não conseguiu ver no cinema, quando o filme sair em DVD, faça um favor a si mesmo: assista o Palhaço.


Depois de a internet inteira ter ficado em polvorosa com a suposta morte de Jon Bon Jovi, o próprio cantor, com bom humor e com direito a espírito natalino, fez questão de desmentir no Facebook o boato provando, mais uma vez que, uma foto vale mais que um milhão de tweets.

Por Piero Barcellos – @Pierobarcellos
Depois da quinta ou sexta música, Erasmo Carlos leva à boca a garrafinha de água e profere a frase acima. O que é óbvio, se considerarmos que o roqueiro em questão tem 70 anos, e 50 de estrada. Também é óbvio que a vasta cabeleira negra da época da Jovem Guarda deu lugar a uma careca com longos mullets brancos a sua volta. O mesmo é dito para a voz, que falhava no início das primeiras músicas do show. Ou da memória para as canções mais recentes, que contava com a ajuda das letras apoiadas num pedestal.
Mas estamos falando de Erasmo Carlos. O Tremendão. E ele fez o que poucos menininhos na faixa dos 20/30 anos pensam que fazem hoje em dia: um puta show de rock.
Tive a oportunidade de conversar com ele por telefone, alguns dias antes do show, para uma entrevista que sairá na revista Void. Uma das coisas que conversamos foi sobre o fato de muitos artistas dos anos 60 ainda viverem de saudosismo, enquanto ele se mantinha atual, mostrando uma grande evolução, seja nas letras ou nos arranjos. Erasmo mostrou isso no show Sexo e Rock and Roll, realizado em Porto Alegre no sábado, ia 17. O novo arranjo dado para “Quero que vá tudo pro inferno”, com guitarras distorcidas, é o reflexo deste músico que mantém um pé na atualidade sem tirar o outro dos tempos do Iê-Iê-Iê.
“Pega na mentira!”, um gaiato no meio do público gritou pedindo pela música. “Calma bicho, tudo a seu tempo. Eu nasci de nove meses, tive que esperar também. Se eu pudesse, nascia antes”, brincou em resposta. O show foi marcado por estas conversas com o público, tiradas muito bem humoradas de um artista que não tem medo de ousar. A música que abre o show, “Kamasutra”, do CD “Sexo”, faz um ode às posições do famoso livro indiano. Já em “Apaixocólico Anônimo”, a referência é ao sexo oral. “Roupa Suja”, do mesmo CD é um tapa na cara de quem terminou um relacionamento conturbado ainda com coisas para resolver.
Do outro CD que nomeia a turnê, Erasmo tocou com a jovialidade de um menino “Jogo Sujo” e “Cover”, que contou com a participação de Robson Carlos, um dos mais famosos covers do Rei. Deste disco em especial senti falta de outras músicas que não estavam no repertório, como “Olhar de Mangá” e “Um beijo é um tiro”. Mas não se pode ter tudo…
Depois o rock pegou. “Todo artista tem aquela música que se não tocar no show, as pessoas saem tristes. Os Rolling Stones não podem fazer uma apresentação sem tocar ‘Satisfaction’. Se não tocar, as pessoas ficam tristes. E eu não quero ver ninguém aqui triste”, falou, para em seguida tocar “Gatinha Manhosa”, música que equiparo em genialidade com “Something”, do George Harrison. “Sentado a beira do caminho” puxou o coro de palmas logo nos primeiros acordes. Depois, para arrancar as lágrimas de quem ainda estava segurando as emoções, “É preciso saber viver” foi executada com maestria, em conjunto com o quinteto de cordas da PUCRS.
Naquela famosa pausa que é feita pelos músicos para, normalmente, o vocalista descansar a voz e os instrumentistas demostrarem sua virtuose, a coisa se inverteu. A banda saiu, e Erasmo Carlos permaneceu no palco para cantar, com o acompanhamento do piano, as “músicas de motel”, que ele e Roberto compuseram durante a longa parceria que existe até hoje. Logo após, as guitarras tomaram conta para dizer que era proibido fumar. Impossível ficar sentado.
Os tempos mudaram, meu amigo Erasmo Carlos. Mas o bom rock sempre vai ser rock.

Outro mimo que recebi e – já que estamos em época de presentes e tal – quero mostrar muito pra vocês.
(Alíás, queria ter mostrado há mais tempo mas tempo mas dai rolou o lance do assalto que levaram meu notebook (não falei? Deixa pra lá que, apesar de punk e traumático, já passou) e algumas fotos estavam lá dentro inclusive essa)
Essa foi um mimo da Beetmo Co. que é muito mais que uma loja online bacana para atender bandas bacanas. Tudo porque além de criar, colocar os produtos a venda para o público que curte música, ainda pensa em estratégia de marketing para dar um up nessas bandas para o público das redes sociais (galera ligada no Facebook, Twitter, Orkut e afins. Ou seja, todo mundo).
E esse kit que a Beetmo Co enviou é tudo de muito bom. 14 bottons muito show de bola: Zeca Viana, Inocentes, Los Porongas (aquela banda acreana que eu pirei quando conheci) e outros com o humor elevado à décima potência: “Live and Let que se foda“, “MGMT: Menos Guerra Mais Toddynho“, “Quem não conhec Raça Negra nao sabe o que é <3“.

Junto uma fastbag - uma bolsinha muito bonita, de tecido, que, como o próprio nome sugere, é para coisas rápidas. Mais fininha que as ecobags (também funciona como tal porque, afinal, é reutilizável – e bonita) é do tipo de colocar do lado, sair e espalhar estilo por ai.

Ah, e uma caneca dos Los Porongas (essa falo melhor depois num cantinho especial que vocês sabem bem qual é).

Pra conhecer melhor e ver o que a criatividade da Beetmo Co. pode fazer é só acessar beetmo.com. Época de final de ano, sugestões de presentes sempre é bem vinda. E eu adorei. Agradecimento especial à Juliana Sales. Parceirona que me deixou comovida porque lembrou dessa humilde blogueira. Valeu!
